2008...
Por estes dias escreve-se pouco nos blogues. Neste blogue. Só me ocorrem coisas um bocadinho patéticas sobre a triste realidade nacional. O que não vale mesmo a pena.
Por isso, a menos que me lembre de alguma coisa realmente positiva, aproveito para desejar aos amigos, leitores e visitantes do blogue, um bom ano. Cheio de coragem. E se houver ainda mais coragem, de abertura aos outros e de dávida.
Caeiro, também aqui, é o mestre. Este blogue é mantido por Possidónio Cachapa e todos os que acham por bem participar. A blogar desde 2003.
29 de dezembro de 2007
24 de dezembro de 2007
MERRY CHRISTMAS BIG BROTHER
Numa altura em que os jornalistas andam histéricos porque a partir do início do ano a lei os vai proibir de poluir os restaurante a bel-prazer, nenhum deles estranha uma outra alteração de consequências imprevisíveis. A partir de 1 de Janeiro as companhias de telecomunicações vão guardar e pôr à disposição de quem as souber recolher, as informações sobre as nossas comunicações e navegação pela internet. Num país dominado pela pequena corrupção de polícias, funcionários de tribunal e "serviços de informação" a soldo dos governos, não parece chatear ninguém que esta gente toda possa vasculhar no mais ínfimo dos nossos movimentos. A coberto da terrível necessidade de nos salvar de terroristas e de criminosos de toda a espécie, vai ser possível saber tudo: com quem falámos, durante quanto tempo, se visitámos o site dos amigos do Zoológico ou o Bigbreasts.com. Tudo. Claro que a lei "protege" o cidadão, baseado sobretudo na ideia que "quem não deve, não teme". Mas quando sabemos que milhares de pessoas já estão debaixo de escuta sem qualquer ordem judicial, que aqueles que recebem um salário para nos proteger ganham a vida a vender aos jornais as conversas das estrelitas do jet-set; os mesmos que fazem manifestações com cartazes com a figura do primeiro-ministro e a frase "Filho da Puta Mentiroso", teme-se o pior. O problema nunca é a bondade de uma lei, mas sim o uso que milhares de parasitas aguardam para lhe dar.
Isso, jornalistas, chateiem-se com o fim da tabacaria, quando os mais conhecidos de entre vocês virem os nomes escarrapachados nas publicações da concorrência debaixo de insinuações iníquas, vão perceber do que estou a falar.
Mas que digo eu? Algum deles lê isto? Não, está tudo a ler as publicações norte-americanas, a cena "trend", a meditar sobre a última atoarda de Santana Lopes, o-do-cabelo-lambido-por-um-cão.
Abrir os olhos para quê, quando se está tão habituado a correr à volta da cauda?
Numa altura em que os jornalistas andam histéricos porque a partir do início do ano a lei os vai proibir de poluir os restaurante a bel-prazer, nenhum deles estranha uma outra alteração de consequências imprevisíveis. A partir de 1 de Janeiro as companhias de telecomunicações vão guardar e pôr à disposição de quem as souber recolher, as informações sobre as nossas comunicações e navegação pela internet. Num país dominado pela pequena corrupção de polícias, funcionários de tribunal e "serviços de informação" a soldo dos governos, não parece chatear ninguém que esta gente toda possa vasculhar no mais ínfimo dos nossos movimentos. A coberto da terrível necessidade de nos salvar de terroristas e de criminosos de toda a espécie, vai ser possível saber tudo: com quem falámos, durante quanto tempo, se visitámos o site dos amigos do Zoológico ou o Bigbreasts.com. Tudo. Claro que a lei "protege" o cidadão, baseado sobretudo na ideia que "quem não deve, não teme". Mas quando sabemos que milhares de pessoas já estão debaixo de escuta sem qualquer ordem judicial, que aqueles que recebem um salário para nos proteger ganham a vida a vender aos jornais as conversas das estrelitas do jet-set; os mesmos que fazem manifestações com cartazes com a figura do primeiro-ministro e a frase "Filho da Puta Mentiroso", teme-se o pior. O problema nunca é a bondade de uma lei, mas sim o uso que milhares de parasitas aguardam para lhe dar.
Isso, jornalistas, chateiem-se com o fim da tabacaria, quando os mais conhecidos de entre vocês virem os nomes escarrapachados nas publicações da concorrência debaixo de insinuações iníquas, vão perceber do que estou a falar.
Mas que digo eu? Algum deles lê isto? Não, está tudo a ler as publicações norte-americanas, a cena "trend", a meditar sobre a última atoarda de Santana Lopes, o-do-cabelo-lambido-por-um-cão.
Abrir os olhos para quê, quando se está tão habituado a correr à volta da cauda?
20 de dezembro de 2007
14 de dezembro de 2007

FOI UM TRATADO!
(Como diria o meu pai quando quer ser sarcástico) Ia eu a entrar para o Metro, ou melhor, a tirar o bilhetinho de 75 cts, quando um senhor me murmurou qualquer coisa que não percebi. Paguei, a máquina larga o papelinho, mas antes que eu pudesse cometer um acto irreparável, um emigrante africano segura-me no braço, com ar feliz, e elucida-me: "Hoje é tudo de graça!" E era.Para comemorar o almoço no museu dos coches, a empresa pública abriu as portas "aos estimados clientes".
Vá lá que este mês não tinha comprado passe.
13 de dezembro de 2007
A CANETA DE PRATA
Os jornais televisivos destacam todos o essencial: o Tratado de Lisboa vai ser assinado com caneta de prata.
Parece que os nórdicos não estavam de acordo nem com a ideia de se usar uma de madeira exótica da Amazónia, nem com uma em plástico produzida na China por criancinhas a cantar o Hino à Alegria.
Teve mesmo de se usar uma de prata extraída por trabalhadores miseráveis em lugar indetectável da América do Sul.
Os jornais televisivos destacam todos o essencial: o Tratado de Lisboa vai ser assinado com caneta de prata.
Parece que os nórdicos não estavam de acordo nem com a ideia de se usar uma de madeira exótica da Amazónia, nem com uma em plástico produzida na China por criancinhas a cantar o Hino à Alegria.
Teve mesmo de se usar uma de prata extraída por trabalhadores miseráveis em lugar indetectável da América do Sul.
10 de dezembro de 2007
O DISCURSO DE DORIS LESSING
Li no Le Monde, o discurso da Nobel da Literatura deste ano, Doris Lessing. Ao contrário de outros que nos encheram os ouvidos sobre a surpresa de ter chegado tão alto quando a vida parecia tê-los condenado em pequeninos à miséria, esta escritora mostrou-nos através de um texto comovedor como os anos a fizeram aproximar dos mais silenciosos. Dos que menos podem. E, sobretudo, da compreensão serena do mundo.
Alerta-nos para os perigos da iliteracia, mas também para a esperança naqueles que menos prezamos, e que passam fome na Índia ou no Zimbábue."Não sabemos como esta revolução (a Internet, os livros que não são lidos na sociedade excedentária em que vivemos) vai terminar.
A mim comove-me este murmúrio suave e poderoso. No meio do ruído que tantos tomam como sucesso.
Aqui, o discurso na íntegra e em versão original.
Li no Le Monde, o discurso da Nobel da Literatura deste ano, Doris Lessing. Ao contrário de outros que nos encheram os ouvidos sobre a surpresa de ter chegado tão alto quando a vida parecia tê-los condenado em pequeninos à miséria, esta escritora mostrou-nos através de um texto comovedor como os anos a fizeram aproximar dos mais silenciosos. Dos que menos podem. E, sobretudo, da compreensão serena do mundo.
Alerta-nos para os perigos da iliteracia, mas também para a esperança naqueles que menos prezamos, e que passam fome na Índia ou no Zimbábue."Não sabemos como esta revolução (a Internet, os livros que não são lidos na sociedade excedentária em que vivemos) vai terminar.
A mim comove-me este murmúrio suave e poderoso. No meio do ruído que tantos tomam como sucesso.
Aqui, o discurso na íntegra e em versão original.
9 de dezembro de 2007
PERE LACHAISE
Por contingências de hotel e de um jantar com uma conhecida, lá fui visitar o túmulo do Jim Morrison, pejado de flores e garrafas de JB. De caminho avistei o do Oscar Wilde, coberto de grafites apaixonados ou da gratidão de muitos.
Mas o que me impressionou mais foi o silêncio e o esquecimento diante dos túmulos de banqueiros e escritores da Academie. Toda a vangloria que os perfumou em vida tinha desaparecido. Eram apenas pedras, cobertas de micro-organismos. Nada para quem passava como eu.
Por contingências de hotel e de um jantar com uma conhecida, lá fui visitar o túmulo do Jim Morrison, pejado de flores e garrafas de JB. De caminho avistei o do Oscar Wilde, coberto de grafites apaixonados ou da gratidão de muitos.
Mas o que me impressionou mais foi o silêncio e o esquecimento diante dos túmulos de banqueiros e escritores da Academie. Toda a vangloria que os perfumou em vida tinha desaparecido. Eram apenas pedras, cobertas de micro-organismos. Nada para quem passava como eu.
8 de dezembro de 2007
6 de dezembro de 2007
WELCOME TO LISBON
Começa a chegar hoje, a longa lista de ditadores africanos. A maioria acompanhada por séquitos de seguranças, mulheres, amantes, e luxeiras várias. Para trás deixam a fome, a tortura, a violação dos direitos humanos e a consciência da sua incapacidade ou falta de vontade para arrancar os seus cidadãos da pobreza.
Portugal recebe-os engalanado, até arma tendas a alguns, habituados ao deserto, no chão de pedra dos fortes quinhentistas.
É a diplomacia global a aterrar no torrãozinho portuga.
Começa a chegar hoje, a longa lista de ditadores africanos. A maioria acompanhada por séquitos de seguranças, mulheres, amantes, e luxeiras várias. Para trás deixam a fome, a tortura, a violação dos direitos humanos e a consciência da sua incapacidade ou falta de vontade para arrancar os seus cidadãos da pobreza.
Portugal recebe-os engalanado, até arma tendas a alguns, habituados ao deserto, no chão de pedra dos fortes quinhentistas.
É a diplomacia global a aterrar no torrãozinho portuga.
5 de dezembro de 2007
O LEVANTAR DO CHÃO
Comecei há uma semana ou duas a trabalhar num novo livro. Assim, devagar, umas folhas por dia, a tactear.
Uma pessoa próxima perguntava-me se seria um romance, se era o meu "próximo" livro. Encolhi os ombros porque não sabia responder. Estou apenas a ouvir as personagens, a testar os universo, as personagens dentro dos seus universos. É um trabalho "largo", como se percorresse as asas de um avião.
Mas uma coisa é passear nas asas outra é pô-lo no ar, com todo o seu peso.
Só os inconscientes atiram para o céu as toneladas de um romance sem motor.
Comecei há uma semana ou duas a trabalhar num novo livro. Assim, devagar, umas folhas por dia, a tactear.
Uma pessoa próxima perguntava-me se seria um romance, se era o meu "próximo" livro. Encolhi os ombros porque não sabia responder. Estou apenas a ouvir as personagens, a testar os universo, as personagens dentro dos seus universos. É um trabalho "largo", como se percorresse as asas de um avião.
Mas uma coisa é passear nas asas outra é pô-lo no ar, com todo o seu peso.
Só os inconscientes atiram para o céu as toneladas de um romance sem motor.
3 de dezembro de 2007
O ESPAÇO DE CRIAÇÃO
Leio no Expresso que dois lugares de criação teatral vão fechar, o Karnarte e a Casa dos Dias d'Água. Conheço apenas o segundo, um belo espaço e cheio de actividades. Em ambos os casos, acabou-se o dinheiro da renda. Dito assim, soa a coisa pouca, mas as despesas fixas nunca são coisa pouca.
Pergunto a mim próprio por que razão a senhora do Hermitage não liberta um dos milhares de prédios devolutos do Estado e o coloca ao serviço destas companhias? Há casas e mais casas, palacetes e mais palacetes que estão vazios ou ocupados por departamentos que não lembrariam ao careca, pejados de pó, dossiers e funcionários a mais. Seria assim tão complicado permitir que os criadores os ocupassem para criar, livres de rendas de milhares de euros mensais?
Que nossa senhora da inteligência ilumine estas almas burrocratas...
ps: confirmo, pela leitura, o que suspeitava: famílias de classe média e (ex) média-alta recorrem ao banco alimentar para dar de comer aos filhos. Não é inesperado, mas ainda assim é triste. Agora, se estes que têm rendimentos acima da média estão endividados, imaginem os que vivem dos trabalhos que surgem ou procuram, a recibo verde e sem regalias nenhumas.
Leio no Expresso que dois lugares de criação teatral vão fechar, o Karnarte e a Casa dos Dias d'Água. Conheço apenas o segundo, um belo espaço e cheio de actividades. Em ambos os casos, acabou-se o dinheiro da renda. Dito assim, soa a coisa pouca, mas as despesas fixas nunca são coisa pouca.
Pergunto a mim próprio por que razão a senhora do Hermitage não liberta um dos milhares de prédios devolutos do Estado e o coloca ao serviço destas companhias? Há casas e mais casas, palacetes e mais palacetes que estão vazios ou ocupados por departamentos que não lembrariam ao careca, pejados de pó, dossiers e funcionários a mais. Seria assim tão complicado permitir que os criadores os ocupassem para criar, livres de rendas de milhares de euros mensais?
Que nossa senhora da inteligência ilumine estas almas burrocratas...
ps: confirmo, pela leitura, o que suspeitava: famílias de classe média e (ex) média-alta recorrem ao banco alimentar para dar de comer aos filhos. Não é inesperado, mas ainda assim é triste. Agora, se estes que têm rendimentos acima da média estão endividados, imaginem os que vivem dos trabalhos que surgem ou procuram, a recibo verde e sem regalias nenhumas.
1 de dezembro de 2007
VIAGEM AO CORAÇÃO DOS PÁSSAROS
A Fnac do Chiado resolveu colocar à venda, a edição da Assírio.
Apesar de existir um acordo datado de há 5 anos em que todos os exemplares deveriam ser retirados do mercado, ainda assim fico contente por este não estar a ser cumprido.
À mingua de nova edição, ao menos, aquela estará disponível para os leitores.
É um livro de que gosto particularmente. Difícil para alguns, por reproduzir o falar madeirense (além de muitas invenções linguísticas e gráficas). É também um dos meus títulos que mais divide os leitores, entre os que gostam muito e os que acham que por ali não fui a lado nenhum. :)
Saber que está à venda, mesmo se não recebo um cêntimo de direitos, alegra-me. Por ele, pelo livro que pode assim encontrar com quem falar.
Ps: também avistei o novo título para miúdos QUERO IR À PRAIA, pela caminho. Vermelho e teimoso, na ilustração do Luís Henriques.
A Fnac do Chiado resolveu colocar à venda, a edição da Assírio.
Apesar de existir um acordo datado de há 5 anos em que todos os exemplares deveriam ser retirados do mercado, ainda assim fico contente por este não estar a ser cumprido.
À mingua de nova edição, ao menos, aquela estará disponível para os leitores.
É um livro de que gosto particularmente. Difícil para alguns, por reproduzir o falar madeirense (além de muitas invenções linguísticas e gráficas). É também um dos meus títulos que mais divide os leitores, entre os que gostam muito e os que acham que por ali não fui a lado nenhum. :)
Saber que está à venda, mesmo se não recebo um cêntimo de direitos, alegra-me. Por ele, pelo livro que pode assim encontrar com quem falar.
Ps: também avistei o novo título para miúdos QUERO IR À PRAIA, pela caminho. Vermelho e teimoso, na ilustração do Luís Henriques.
29 de novembro de 2007
WC, CASA DE BANHO, BANHEIRO, ASSEOS...
Graças ao Flávio, meu aluno de Criatividade Publicitária, que encontrou o link, posso anunciar que este blogue já dispõe de casa de banho.
Já não há razão para interromperem os comentários. Qualquer necessidade que não seja de expressão, é em baixo, ao fundo!
ps: a minha versão favorita, é a francesa.
Graças ao Flávio, meu aluno de Criatividade Publicitária, que encontrou o link, posso anunciar que este blogue já dispõe de casa de banho.
Já não há razão para interromperem os comentários. Qualquer necessidade que não seja de expressão, é em baixo, ao fundo!
ps: a minha versão favorita, é a francesa.
27 de novembro de 2007
25 de novembro de 2007
EL OBRERO DIGITAL
Uma revista online interessante é este "Obrero...".
Além do bom gosto das escolhas, escrevem bem. Veja-se, como exemplo, este pedaço, escolhido totalmente ao acaso, do último número: "Las letras portuguesas están en plena renovación, como demuestra del hecho de que cada vez aparacen autores más jovens e interessantes. Un bueno ejemplo lo encontramos en este libro que réune una grata selección de relatos y una cuidada novela corta. La literatura emocional e la inteligente se dan la mano en los textos de Possidónio Cachapa".
:) Agora a sério, saltando o detalhe/"xiste", a revista tem graça.
Uma revista online interessante é este "Obrero...".
Além do bom gosto das escolhas, escrevem bem. Veja-se, como exemplo, este pedaço, escolhido totalmente ao acaso, do último número: "Las letras portuguesas están en plena renovación, como demuestra del hecho de que cada vez aparacen autores más jovens e interessantes. Un bueno ejemplo lo encontramos en este libro que réune una grata selección de relatos y una cuidada novela corta. La literatura emocional e la inteligente se dan la mano en los textos de Possidónio Cachapa".
:) Agora a sério, saltando o detalhe/"xiste", a revista tem graça.
23 de novembro de 2007
ELES "ANDEM" AÍ
Há pouco, no metro, uma mulher jovem, sentada à janela, lançou um grito dilacerante. Como se lhe tivessem revolvido as entranhas. Depois continuou, calmamente no mesmo sítio, até chegar a estação final, onde saiu e se perdeu no meio da multidão. Estava vestida e penteada de forma absolutamente normal. E contudo, quem estava naquela carruagem percebeu que alguma coisa tinha "estalado" dentro dela.
Cada vez mais avisto gente a deambular pelas ruas, falando com inimigos imaginários que, a atender pelas expressões, os atormentam. Há muitos anos que não via tantos "loucos" na rua.
Isto só dá razão aos que acreditam que a pressão em que o país vive actualmente ou nos catapulta para o bem-estar ou nos matará de fome ou doença.
Para os mais fracos, é certo que não chegará a tempo a melhor das hipóteses.
Há pouco, no metro, uma mulher jovem, sentada à janela, lançou um grito dilacerante. Como se lhe tivessem revolvido as entranhas. Depois continuou, calmamente no mesmo sítio, até chegar a estação final, onde saiu e se perdeu no meio da multidão. Estava vestida e penteada de forma absolutamente normal. E contudo, quem estava naquela carruagem percebeu que alguma coisa tinha "estalado" dentro dela.
Cada vez mais avisto gente a deambular pelas ruas, falando com inimigos imaginários que, a atender pelas expressões, os atormentam. Há muitos anos que não via tantos "loucos" na rua.
Isto só dá razão aos que acreditam que a pressão em que o país vive actualmente ou nos catapulta para o bem-estar ou nos matará de fome ou doença.
Para os mais fracos, é certo que não chegará a tempo a melhor das hipóteses.
22 de novembro de 2007
FALTA-ME O TEMPO
para o blogue, para levar a sério o que se diz no telejornal.
Recupero os dias que perdi a falar bem do meu país no estrangeiro, indo às finanças pagar multas, tentando que os compromissos de trabalho se mantenham de pé, e que a vizinha de baixo entenda que a razão porque um bocado do tecto lhe caiu não foi eu não estar em casa e de ninguém bater com portas ou martelos...
Passo nas livrarias e avisto os pontas-de-lança de consumo a que chamam "literatura". Alguém vai receber muitas folhas do mesmo...
De Espanha chega o interesse da crítica. O Agarrate a mi pecho en llamas faz um caminho mais auspicioso do que por cá. Santos de casa, já se sabe...
ps: permanece o mistério da não existência de transportes aéreos entre Portugal e a Galiza... Lá terei de ir perder mais uma malita para o aeroporto de Barajas (Madrid)...
para o blogue, para levar a sério o que se diz no telejornal.
Recupero os dias que perdi a falar bem do meu país no estrangeiro, indo às finanças pagar multas, tentando que os compromissos de trabalho se mantenham de pé, e que a vizinha de baixo entenda que a razão porque um bocado do tecto lhe caiu não foi eu não estar em casa e de ninguém bater com portas ou martelos...
Passo nas livrarias e avisto os pontas-de-lança de consumo a que chamam "literatura". Alguém vai receber muitas folhas do mesmo...
De Espanha chega o interesse da crítica. O Agarrate a mi pecho en llamas faz um caminho mais auspicioso do que por cá. Santos de casa, já se sabe...
ps: permanece o mistério da não existência de transportes aéreos entre Portugal e a Galiza... Lá terei de ir perder mais uma malita para o aeroporto de Barajas (Madrid)...
15 de novembro de 2007
ESPANHA
Ainda de mala perdida (obrigado aeroporto e companhia aérea), para variar, passo por aqui, para anotar rapidamente umas coisas.
1: Cada vez mais, Espanha se abre aos autores portugueses, recebendo-os com carinho, lendo-os e desejando-lhes que voltem para partilhar. São mais as coisas que nos unem do que aquelas que nos separam.
2: AGARRATE A MI PECHO EN LLAMAS, funciona da mesma maneira noutras línguas.
3. Madrid é encantador em dias de sol, mas Zaragoza é uma cidade a descobrir rapidamente. Uma boa oportunidade será no próximo ano, com a Expo2008.
4. Gostei muito de falar com os alunos de português em Espanha. Aprendem voluntariamente e falam com entusiasmo.
5. Viva o vinho aragonés. E as tapas em geral.
ps: que me perdoem os que comentaram por estes dias, mas sem querer, apaguei os comentários. Em resposta à Julie, nos USA, estou bem, o terramoto no norte do Chile só matou uma velhinha. Deus a guarde. Para a Elena, d Zaragoza, obrigado pelas palavras simpaticas e boa leitura. para o anónimo que dizia que "estava muito diferente", é verdade: mais cabelos brancos, menos ingénuo, mas ainda assim um pateta que abraça primeiro e pergunta depois :)
Ainda de mala perdida (obrigado aeroporto e companhia aérea), para variar, passo por aqui, para anotar rapidamente umas coisas.
1: Cada vez mais, Espanha se abre aos autores portugueses, recebendo-os com carinho, lendo-os e desejando-lhes que voltem para partilhar. São mais as coisas que nos unem do que aquelas que nos separam.
2: AGARRATE A MI PECHO EN LLAMAS, funciona da mesma maneira noutras línguas.
3. Madrid é encantador em dias de sol, mas Zaragoza é uma cidade a descobrir rapidamente. Uma boa oportunidade será no próximo ano, com a Expo2008.
4. Gostei muito de falar com os alunos de português em Espanha. Aprendem voluntariamente e falam com entusiasmo.
5. Viva o vinho aragonés. E as tapas em geral.
ps: que me perdoem os que comentaram por estes dias, mas sem querer, apaguei os comentários. Em resposta à Julie, nos USA, estou bem, o terramoto no norte do Chile só matou uma velhinha. Deus a guarde. Para a Elena, d Zaragoza, obrigado pelas palavras simpaticas e boa leitura. para o anónimo que dizia que "estava muito diferente", é verdade: mais cabelos brancos, menos ingénuo, mas ainda assim um pateta que abraça primeiro e pergunta depois :)
9 de novembro de 2007
DE VOLTA A CASA
...penso no Chile. Nos chilenos. Nos desertos a sério que não vi, por falta de tempo. Na forma afável com que respondem a uma primeira abordagem. Não falam muito. Nos "colectivos" (táxis que vão recebendo passageiros até esgotar os lugares) ou nos autocarros, calam-se, mesmo entre si. A sombra da ditadura ainda se sente. A palavra "Pinochet" aparece nas paredes, vaiada ou apoiada, frequentemente.
É uma sociedade endogâmica, mas organizada e disposta a chegar sem pressas ao futuro. Basta visitar o museu pré-colombiano, em Santiago, para entender que estamos perante um conjunto de povos antigos, que dominavam elementos abstractos na arte, muito antes de nós, na Europa. Picassos antes de tempo, o simbolismo a prevalecer sobre o realismo.
Sai de lá com o meu portunhol carregado de sotaque sul-americano. A cheirar a frutilla.
Vou querer voltar para ver a Patagónia e Atacama. Os extremos.
...penso no Chile. Nos chilenos. Nos desertos a sério que não vi, por falta de tempo. Na forma afável com que respondem a uma primeira abordagem. Não falam muito. Nos "colectivos" (táxis que vão recebendo passageiros até esgotar os lugares) ou nos autocarros, calam-se, mesmo entre si. A sombra da ditadura ainda se sente. A palavra "Pinochet" aparece nas paredes, vaiada ou apoiada, frequentemente.
É uma sociedade endogâmica, mas organizada e disposta a chegar sem pressas ao futuro. Basta visitar o museu pré-colombiano, em Santiago, para entender que estamos perante um conjunto de povos antigos, que dominavam elementos abstractos na arte, muito antes de nós, na Europa. Picassos antes de tempo, o simbolismo a prevalecer sobre o realismo.
Sai de lá com o meu portunhol carregado de sotaque sul-americano. A cheirar a frutilla.
Vou querer voltar para ver a Patagónia e Atacama. Os extremos.
4 de novembro de 2007
CLOP CLOP
O que eu gosto nos sul-americanos é a descontracçao.
No Brasil riam-se à gargalhada da minha tentativa de provar que estava diplomado para fazer mergulho. "Tudo bem, cara!".
Aqui, no Chile, chego a um rancho que vende passeios a cavalo e digo que não tenho experiência."Los caballos san mansitos". E pronto: 5 minutos depois estava a trote pela rua empedrada, ao 10 min. subia um monte, aos 30 min. tentava dominar uma égua que queria atirar-se da encosta abaixo e aos 40, caminhava sobre um cavalo que por sua vez se equilibrava num carreiro de 40 cm... O vale a brilhar lá em baixo.
Gosto dos sul-americanos. A vida é mais simples.
E, frequentemente, mais curta.
O que eu gosto nos sul-americanos é a descontracçao.
No Brasil riam-se à gargalhada da minha tentativa de provar que estava diplomado para fazer mergulho. "Tudo bem, cara!".
Aqui, no Chile, chego a um rancho que vende passeios a cavalo e digo que não tenho experiência."Los caballos san mansitos". E pronto: 5 minutos depois estava a trote pela rua empedrada, ao 10 min. subia um monte, aos 30 min. tentava dominar uma égua que queria atirar-se da encosta abaixo e aos 40, caminhava sobre um cavalo que por sua vez se equilibrava num carreiro de 40 cm... O vale a brilhar lá em baixo.
Gosto dos sul-americanos. A vida é mais simples.
E, frequentemente, mais curta.
30 de outubro de 2007
DO CHILE...
Chega-se ao maravilhoso edifício da estacão (nao sei das cedilhas, neste teclado) Malpocho e lembramo-nos logo do que deve ser uma feira do livro. Em seguida, vemos as filas para entrar, as turmas escolares que chegam aos magotes e se espalham a folhear o que podem (ou, como acontece muito por aqui, a namorar, que é uma outra forma de compreender o Camilo Castelo Branco).
O Brasil é o país convidado, preenchendo com "charlas" (conferencias - também não encontro o circunflexo...) sobre os seus autores e a sua visao do mundo.
Por Portugal estou cá eu, a fazer o que posso, a falar de Herberto Hélder ou dos autores recentes. Sempre bem apoiado pela Embaixada/Instituto Camões.
Os Chilenos ficam curiosos. Só sabem do Saramago, do Pessoa e do Lobo Antunes. Querem saber mais e eu conto-lhes. Somos uma gota no universo dos livros, a divulgar a língua e a literatura portuguesas.
Na Universidade faco um workshop com os alunos de portugues. Brincamos à escrita criativa. E eles inventam e escrevem com o mesmo animo dos que encontro em Portugal.
Penso como seria bom para Portugal que isto não fosse um acto isolado.
Acho que repetir este programa de divulgacao da nossa literatura, mundo afora, só poderia trazer benefícios para todos.
Vamos ver.
Chega-se ao maravilhoso edifício da estacão (nao sei das cedilhas, neste teclado) Malpocho e lembramo-nos logo do que deve ser uma feira do livro. Em seguida, vemos as filas para entrar, as turmas escolares que chegam aos magotes e se espalham a folhear o que podem (ou, como acontece muito por aqui, a namorar, que é uma outra forma de compreender o Camilo Castelo Branco).
O Brasil é o país convidado, preenchendo com "charlas" (conferencias - também não encontro o circunflexo...) sobre os seus autores e a sua visao do mundo.
Por Portugal estou cá eu, a fazer o que posso, a falar de Herberto Hélder ou dos autores recentes. Sempre bem apoiado pela Embaixada/Instituto Camões.
Os Chilenos ficam curiosos. Só sabem do Saramago, do Pessoa e do Lobo Antunes. Querem saber mais e eu conto-lhes. Somos uma gota no universo dos livros, a divulgar a língua e a literatura portuguesas.
Na Universidade faco um workshop com os alunos de portugues. Brincamos à escrita criativa. E eles inventam e escrevem com o mesmo animo dos que encontro em Portugal.
Penso como seria bom para Portugal que isto não fosse um acto isolado.
Acho que repetir este programa de divulgacao da nossa literatura, mundo afora, só poderia trazer benefícios para todos.
Vamos ver.
24 de outubro de 2007
CHILE
Nos próximos dias não vou poder escrever aqui.
Vou atravessar o Atlântico, em direcção ao Chile. A convite de várias instituições portuguesas e da Feira do Livro de Santiago do Chile, ali estarei, a defender a literatura portuguesa. Sobretudo, a dos outros, embora, de raspão, também lhes dê contas do meu trabalho.
Num espanhol fraquito, é certo :)
Adeus e até ao meu regresso.
ps: admitindo que a greve dos pilotos da TAP me deixa arrancar...
Nos próximos dias não vou poder escrever aqui.
Vou atravessar o Atlântico, em direcção ao Chile. A convite de várias instituições portuguesas e da Feira do Livro de Santiago do Chile, ali estarei, a defender a literatura portuguesa. Sobretudo, a dos outros, embora, de raspão, também lhes dê contas do meu trabalho.
Num espanhol fraquito, é certo :)
Adeus e até ao meu regresso.
ps: admitindo que a greve dos pilotos da TAP me deixa arrancar...
22 de outubro de 2007
PECHO EN LLAMAS
Para los amigos de Espanha, aqui fica a capa da edição espanhola de SEGURA-TE AO MEU PEITO EM CHAMAS.
A apresentação será feita em Madrid a 13 de Novembro (no decurso de um grande evento literário organizado pela Embaixada de Portugal) e a 14 em Zaragoza.
Para os portugueses que não leram e que o queiram fazer na nossa língua, basta procurar nas zonas mais escuras das grandes livrarias, no sítio dos escritores que não apresentam coisa nenhuma, ou, no caso da Fnac, esgaravantando na prateleira da letra "C" (normalmente estão escondidos por detrás do COELHO, Paulo). Ou comprar via net, de qualquer livraria online
Para los amigos de Espanha, aqui fica a capa da edição espanhola de SEGURA-TE AO MEU PEITO EM CHAMAS.
A apresentação será feita em Madrid a 13 de Novembro (no decurso de um grande evento literário organizado pela Embaixada de Portugal) e a 14 em Zaragoza.
Para os portugueses que não leram e que o queiram fazer na nossa língua, basta procurar nas zonas mais escuras das grandes livrarias, no sítio dos escritores que não apresentam coisa nenhuma, ou, no caso da Fnac, esgaravantando na prateleira da letra "C" (normalmente estão escondidos por detrás do COELHO, Paulo). Ou comprar via net, de qualquer livraria online
HER(M)ITAGE
Em homenagem à nossa ministra resolvi ir visitar o Hermitage de Amsterdão que lhe serve de referência. 7 euros depois (mais 2 por um café e 4 (quatro) por uma fatia ranhosa de bolo de maçã) fiquei elucidado (ah! e mais 1 euro para o cacifo obrigatório).
A média de idades rondava os 120 anos, descontando a minha e a de duas crianças de olhar esgazeado, arrastadas pelos pais.
Resumindo: trata-se de uma colecção de objectos, a maioria "caseiros", digamos assim, feitos no início do século XX. Arte Nova, quase tudo. Do tédio de ver cadeiras artisticamente trabalhadas, à excitação de observar pregadeiras de peito (a quem o nome mais comum faria justiça), foi do dinheiro mais mal dado da minha vida.
Mas percebi a razão de se ir estourar mais de um milhão de euros para ter coisas daquelas cá, ao ler o Destak de hoje (700.000 leitores, dizem eles, quem quiser que acredite. Deparei com uma entrevista a Isabel Pires de Lima. Igual a si própria. E por incrível que pareça, ela quer mesmo atrair a 3a idade. Alguém lhe deve ter dito que isto da velharia é que dava dinheiro. Provavelmente o colega das Finanças. E vá de gastar o erário público e os escassos mecenatos obtidos naquilo.
Já agora propunha-lhe uma exposição internacional de andarilhos. Ou um congresso de Viagra com bailarinas vestidas com bananas à moda de 1920.
Da entrevista percebe-se 2 coisas: a senhora está a fazer tudo para agradar ao nosso primeiro-engenheiro, para que este, na sua teimosia a mantenha até ao fim do mandato.
Há um lado bom nisto de promover cultura para a 3a idade: é que eu, quando leio estes dislates, fico com a cabeça cheia de cabelos brancos.A segunda, ela e a sua equipa acreditam que a cultura de um país se faz sem os criadores vivos.
Daqui a apreciar o pastelão do Hermitage é um passinho.
19 de outubro de 2007
OLHAR DE FORA PARA DENTRO
De passagem por Amsterdao, olhando as folhas vermelhas e amarelas que caem na relva, penso na diferenca das coisas.
Os holandeses nao sao um povo pr'a' frentex, como se gosta de imaginar. Pelo contrario, uma parte da populacao 'e bastante conservadora. A diferenca para o pais onde regressarei dentro de 2 dias consiste em que os valores pessoais nao se sobrepoem aos dos outros. Isto 'e, nao se tenta impingir a moral caseira ao vizinho. Nao preciso de aprovar o tipo que consome marijuana no cafe', ou que haja uma multidao de malucos que prefere pedalar a engordar ao volante de um carro. Basta que os deixe fumar em sitios em que nao me chateiem e que construa pistas para ciclistas.
Seria tudo tao mais facil se houvesse menos gente a dizer aos outros o que fazer ou sentir...
ps: nao acho acentos nem cedilhas e muito menos os tils.
De passagem por Amsterdao, olhando as folhas vermelhas e amarelas que caem na relva, penso na diferenca das coisas.
Os holandeses nao sao um povo pr'a' frentex, como se gosta de imaginar. Pelo contrario, uma parte da populacao 'e bastante conservadora. A diferenca para o pais onde regressarei dentro de 2 dias consiste em que os valores pessoais nao se sobrepoem aos dos outros. Isto 'e, nao se tenta impingir a moral caseira ao vizinho. Nao preciso de aprovar o tipo que consome marijuana no cafe', ou que haja uma multidao de malucos que prefere pedalar a engordar ao volante de um carro. Basta que os deixe fumar em sitios em que nao me chateiem e que construa pistas para ciclistas.
Seria tudo tao mais facil se houvesse menos gente a dizer aos outros o que fazer ou sentir...
ps: nao acho acentos nem cedilhas e muito menos os tils.
15 de outubro de 2007
LEIS E ESTATUTOS DO ARTISTA
A confusão continua. Perante um gabinete ministerial a transbordar de preguiça e ignorância, só resta chamar a atenção para os erros mais crassos.
Vejam esta petição online. Que não servirá para nada, como não serviu nenhuma até hoje, uma vez que a nossa democracia parlamentar é tudo menos representativa, mas que não invalida a sua pertinência.
Ao olhar para as propostas de orçamento para a cultura e para os projectos sub-santanais a que o ministério se propõe, só o desalento me assola.
Os portugueses que vêem a cultura como um bem de primeira necessidade sentem-se como os brasileiros se sentiram com Lula: comidos e sem alternativa.
A confusão continua. Perante um gabinete ministerial a transbordar de preguiça e ignorância, só resta chamar a atenção para os erros mais crassos.
Vejam esta petição online. Que não servirá para nada, como não serviu nenhuma até hoje, uma vez que a nossa democracia parlamentar é tudo menos representativa, mas que não invalida a sua pertinência.
Ao olhar para as propostas de orçamento para a cultura e para os projectos sub-santanais a que o ministério se propõe, só o desalento me assola.
Os portugueses que vêem a cultura como um bem de primeira necessidade sentem-se como os brasileiros se sentiram com Lula: comidos e sem alternativa.
13 de outubro de 2007
FÁTIMA, FADO E FUTEBOL
Gosto tanto da RTP. Usando apenas alguns milhares de funcionários e umas centenas de milhões de euros por ano, consegue dar-nos a toda a hora futebol, fado (na rtp memória - tanta amnésia que para aí ataca, logo ali...) e agora fátima. Foi bonito ver como a filha da comadre Felgueiras dizia com certeza, que se comemoravam 70 anos "sobre o dia em que o sol rodou". Se isto não justifica um orçamento anual superior ao do Ministério da Cultura, não sei o que justifique...

Ps: Durante a sua performance, o cardeal que veio representar o Vaticano mostrou-se muito audacioso. Quiçá, temerário:
"Face a tais pretensões, o mínimo que podemos fazer é rebelar-nos com a mesma audácia dos Apóstolos perante idêntica pretensão dos senhores daquele tempo: 'Não podemos calar o que vimos e ouvimos'", disse o Secretário de Estado do Vaticano, perante milhares de peregrinos hoje presentes no Santuário de Fátima."
Ora, até que enfim que o Vaticano vai revelar os milhares de casos de abuso acontecidos com os menores à sua guarda.
Gosto tanto da RTP. Usando apenas alguns milhares de funcionários e umas centenas de milhões de euros por ano, consegue dar-nos a toda a hora futebol, fado (na rtp memória - tanta amnésia que para aí ataca, logo ali...) e agora fátima. Foi bonito ver como a filha da comadre Felgueiras dizia com certeza, que se comemoravam 70 anos "sobre o dia em que o sol rodou". Se isto não justifica um orçamento anual superior ao do Ministério da Cultura, não sei o que justifique...

Ps: Durante a sua performance, o cardeal que veio representar o Vaticano mostrou-se muito audacioso. Quiçá, temerário:
"Face a tais pretensões, o mínimo que podemos fazer é rebelar-nos com a mesma audácia dos Apóstolos perante idêntica pretensão dos senhores daquele tempo: 'Não podemos calar o que vimos e ouvimos'", disse o Secretário de Estado do Vaticano, perante milhares de peregrinos hoje presentes no Santuário de Fátima."
Ora, até que enfim que o Vaticano vai revelar os milhares de casos de abuso acontecidos com os menores à sua guarda.
A PRAGA
Uma praga de mosquitos atacou a Madeira. Apareceram de repente e andam a deixar muitas pessoas malucas, a coçarem-se por todo lado.
O amigo Alberto João tem a certeza que foi o Sócrates quem lançou o flagelo. E para corroborar isto, o secretário regional da saúde já veio afirmar que a coisa veio para ficar. Que é melhor os madeirenses "habituarem-se".
Uma praga de mosquitos atacou a Madeira. Apareceram de repente e andam a deixar muitas pessoas malucas, a coçarem-se por todo lado.
O amigo Alberto João tem a certeza que foi o Sócrates quem lançou o flagelo. E para corroborar isto, o secretário regional da saúde já veio afirmar que a coisa veio para ficar. Que é melhor os madeirenses "habituarem-se".
AI, AS BOAS MANEIRAS...
Olhando para baixo, vejo que às vezes sou um bocado malcriado nos posts.
Num país em que nada se diz, tudo se sussurra e onde se deve sempre cumprimentar os que se desprezam, não é lá muito esperto.
Quando era miúdo cheguei a levar uns safanões de outros putos por causa da mania da franqueza. Parece que não me serviram de nada.
Assim, nunca mais chego a um bom tacho.
Desculpa lá, mãe!
Olhando para baixo, vejo que às vezes sou um bocado malcriado nos posts.
Num país em que nada se diz, tudo se sussurra e onde se deve sempre cumprimentar os que se desprezam, não é lá muito esperto.
Quando era miúdo cheguei a levar uns safanões de outros putos por causa da mania da franqueza. Parece que não me serviram de nada.
Assim, nunca mais chego a um bom tacho.
Desculpa lá, mãe!
11 de outubro de 2007
PRÉMIO ESTULTÍCIA (dicionário...)
de hoje, vai para o Partido Comunista que propõe como desígnio prioritário para o Orçamento de Estado do próximo ano, o aumento de salários da administração pública.
Não fala em aumento de produtividade, reajustamento do pessoal em excesso, apenas defende que a parte mais privilegiada em termos de direitos ganhe mais. Para consumir mais. Curioso, vindo de um partido que apela à igualdade.
Uns aspiram a viver o sonho de 1974, no que ele tem de interpelação livre do mundo. Outros pretendem manter Portugal na incoerência de 1975. Nem que seja para manter os tachos que guardam há 30 anos.
ps: interessante, na mesma linha, o trabalho de terror que os sindicados de professores, nomeadamente o da zona centro, anda a fazer nas escolas. Consta que no seu afã de ódio com a ministra (ou, mais provavelmente, por razões de origem deste, com o secretário de estado) têm promovido o "esclarecimento" dos docentes, dizendo-lhes que as avaliações os vão mandar para o despedimento. E acrescentam, sem direito a subsídio de desemprego. Não conheço este diploma mítico, nem tenho qualquer apreço pela dupla ministerial, mas tresanda-me a pouca vergonha e aldrabice destes sindicalistas. Eles sim estão aflitos, porque se os professores abrem os olhos, são eles quem tem de começar a trabalhar, em vez de arrastarem o cu, a fumar de converseta em converseta.
Como diria alguém, este país já não dá vontade de rir, mas de chorar.
de hoje, vai para o Partido Comunista que propõe como desígnio prioritário para o Orçamento de Estado do próximo ano, o aumento de salários da administração pública.
Não fala em aumento de produtividade, reajustamento do pessoal em excesso, apenas defende que a parte mais privilegiada em termos de direitos ganhe mais. Para consumir mais. Curioso, vindo de um partido que apela à igualdade.
Uns aspiram a viver o sonho de 1974, no que ele tem de interpelação livre do mundo. Outros pretendem manter Portugal na incoerência de 1975. Nem que seja para manter os tachos que guardam há 30 anos.
ps: interessante, na mesma linha, o trabalho de terror que os sindicados de professores, nomeadamente o da zona centro, anda a fazer nas escolas. Consta que no seu afã de ódio com a ministra (ou, mais provavelmente, por razões de origem deste, com o secretário de estado) têm promovido o "esclarecimento" dos docentes, dizendo-lhes que as avaliações os vão mandar para o despedimento. E acrescentam, sem direito a subsídio de desemprego. Não conheço este diploma mítico, nem tenho qualquer apreço pela dupla ministerial, mas tresanda-me a pouca vergonha e aldrabice destes sindicalistas. Eles sim estão aflitos, porque se os professores abrem os olhos, são eles quem tem de começar a trabalhar, em vez de arrastarem o cu, a fumar de converseta em converseta.
Como diria alguém, este país já não dá vontade de rir, mas de chorar.
10 de outubro de 2007
SEX TAPES DESESPERADAS
Descobri no blogue das PF (via Jorge V. Nande, a quem se pode chamar sem medo, o batedor índio da net, no que toca a séries, filmes e por aí fora), este vídeo da Eva Longoria e do marido a gozarem com as gravações "secretas" que circulam na net.
A ideia é gira.
Descobri no blogue das PF (via Jorge V. Nande, a quem se pode chamar sem medo, o batedor índio da net, no que toca a séries, filmes e por aí fora), este vídeo da Eva Longoria e do marido a gozarem com as gravações "secretas" que circulam na net.
A ideia é gira.
ONDE PÁRA... O IMPOSTO ÁUDIO-VISUAL (sic, como no recibo da edp)?
O José Rodrigues dos Santos tirou uns bocadinhos à escrita das suas histórias para dar entrevistas "polémicas". Como os mass merdia gostam. No caso, para revelar uma coisa em que ninguém tinha ouvido falar: o conselho de administração da rpt interfere com a redacção de formas ínvias.
Parece que não gostaram que um tipo que ganha cem vezes o sálario mínimo nacional tirasse os dedos da peneira com que se tapavam. Chatearam-se não por ser mentira, mas porque um tipo que ganha tanto como eles fez barulho. Deveria fazer como os outros milhares de inúteis e ficar caladinho. Sob pena de ver diminuído o valor do tacho.
Acontece que o pivô-escritor vive um momento em que acredita não precisar da RTP. Que a venda dos seus livros o manterá de boa saúde financeira para sempre. Que continuará a interessar os mesmos milhares de leitores ad aeternum. Daí que se tenha dado ao luxo da verdade.
Na verdade, esta polémica faz lembrar uma briga numa casa de putas: quando se zangam, batem todas no peito e dizem que sim senhor, gostam muito de levar na anilha desde que lhes paguem. Mas cada uma reclama ser a mais asseadinha do prostíbulo.
O José Rodrigues dos Santos tirou uns bocadinhos à escrita das suas histórias para dar entrevistas "polémicas". Como os mass merdia gostam. No caso, para revelar uma coisa em que ninguém tinha ouvido falar: o conselho de administração da rpt interfere com a redacção de formas ínvias.
Parece que não gostaram que um tipo que ganha cem vezes o sálario mínimo nacional tirasse os dedos da peneira com que se tapavam. Chatearam-se não por ser mentira, mas porque um tipo que ganha tanto como eles fez barulho. Deveria fazer como os outros milhares de inúteis e ficar caladinho. Sob pena de ver diminuído o valor do tacho.
Acontece que o pivô-escritor vive um momento em que acredita não precisar da RTP. Que a venda dos seus livros o manterá de boa saúde financeira para sempre. Que continuará a interessar os mesmos milhares de leitores ad aeternum. Daí que se tenha dado ao luxo da verdade.
Na verdade, esta polémica faz lembrar uma briga numa casa de putas: quando se zangam, batem todas no peito e dizem que sim senhor, gostam muito de levar na anilha desde que lhes paguem. Mas cada uma reclama ser a mais asseadinha do prostíbulo.
6 de outubro de 2007
3 de outubro de 2007
INTERMITÊNCIA
Ontem não escrevi no blogue, hoje escrevo... Amanhã não escrevo, no outro dia, sim...
Deve ser por isso que me incluo entre os intermitentes...
Ah, não!
Ser intermitente é pagar impostos e não ter direito a fundo de desemprego, subsídio de doença, de maternidade, férias, etc, etc... É trabalhar sem horários e por vocação e não ser reconhecido pelo Estado. É dar o seu melhor e recusar levar a criatividade para outro país e ser tratado como um cão.
É isso. Afinal sempre sou intermitente, tal como os carpinteiros de cena, os técnicos de som, de iluminação, os actores...
Ontem não escrevi no blogue, hoje escrevo... Amanhã não escrevo, no outro dia, sim...
Deve ser por isso que me incluo entre os intermitentes...
Ah, não!
Ser intermitente é pagar impostos e não ter direito a fundo de desemprego, subsídio de doença, de maternidade, férias, etc, etc... É trabalhar sem horários e por vocação e não ser reconhecido pelo Estado. É dar o seu melhor e recusar levar a criatividade para outro país e ser tratado como um cão.
É isso. Afinal sempre sou intermitente, tal como os carpinteiros de cena, os técnicos de som, de iluminação, os actores...
30 de setembro de 2007
AFINAL ESTÁ TUDO CERTO!
Andava eu preocupado para quê?! A Maia escreveu que para o meu signo a carta da semana é a "Estrela". Parece que vai ser sempre a abrir na estrada da sorte!
Quero lá saber dos sinais com que me ameaçam se for a mais de 50 km por hora! Uma premonição avalizada é outra coisa.
VRRRRUUUUMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMmmmmmmmmmmmmmm
Andava eu preocupado para quê?! A Maia escreveu que para o meu signo a carta da semana é a "Estrela". Parece que vai ser sempre a abrir na estrada da sorte!
Quero lá saber dos sinais com que me ameaçam se for a mais de 50 km por hora! Uma premonição avalizada é outra coisa.
VRRRRUUUUMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMmmmmmmmmmmmmmm
28 de setembro de 2007
BURMA
Um sms da Finlândia alerta-me para a ideia de toda a gente sair hoje à rua com uma t-shirt vermelha para mostrar a solidariedade com as populações da Birmânia na sua luta contra o regime. Não sou muito dado a esse tipo de manifestações, mas tenho de ir à rua, vou levar t-shirt, e uma dela (passada a ferro...) é vermelha. E sim estou com os monges e com o fim dessa ditadura que mantém em casa uma prémio Nobel da paz, legitimamente eleita como presidente.
27 de setembro de 2007
NOTÍCIAS DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA
Chega-me por e-mail a seguinte notícia:
"Foi agora notícia a aprovação na Assembleia da República de uma nova versão do estatuto dos deputados em que foi introduzida a novidade de cada deputado passar a dispor de " assistente individual".
Importa recordar, para que não se pense que os senhores deputados andam por lá a tirar as fotocópias de que precisem ou a meter no correio as cartas que decidam enviar, que os deputados têm à sua disposição, para aquilo que precisarem, o secretariado dos seus grupos parlamentares, com os respectivos assessores e técnicos, e que podem também recorrer aos serviços de apoio técnico da assembleia, constituídos por funcionários do quadro da Assembleia da República. Muita gente, e bem paga. A inovação do " assistente individual ", que acrescerá a tudo isso, representa portanto o abrir de uma porta para resolver os problemas de desemprego de uma multidão de jovens apaniguados e parentes que se acotovelam nas sedes partidárias e andam insistentemente a moer a cabeça aos venerandos parlamentares.
É a questão do desemprego das segundas e terceiras filas da classe política, um dos dados mais relevantes para entender certos projectos que ciclicamente surgem na ribalta. (...) Lembramos que para além de honorários e prebendas próprias do exercício do cargo esses " assistentes individuais" entram logo para o quadro da função pública (...)são 230 de cada vez..."
Interessante.
Chega-me por e-mail a seguinte notícia:
"Foi agora notícia a aprovação na Assembleia da República de uma nova versão do estatuto dos deputados em que foi introduzida a novidade de cada deputado passar a dispor de " assistente individual".
Importa recordar, para que não se pense que os senhores deputados andam por lá a tirar as fotocópias de que precisem ou a meter no correio as cartas que decidam enviar, que os deputados têm à sua disposição, para aquilo que precisarem, o secretariado dos seus grupos parlamentares, com os respectivos assessores e técnicos, e que podem também recorrer aos serviços de apoio técnico da assembleia, constituídos por funcionários do quadro da Assembleia da República. Muita gente, e bem paga. A inovação do " assistente individual ", que acrescerá a tudo isso, representa portanto o abrir de uma porta para resolver os problemas de desemprego de uma multidão de jovens apaniguados e parentes que se acotovelam nas sedes partidárias e andam insistentemente a moer a cabeça aos venerandos parlamentares.
É a questão do desemprego das segundas e terceiras filas da classe política, um dos dados mais relevantes para entender certos projectos que ciclicamente surgem na ribalta. (...) Lembramos que para além de honorários e prebendas próprias do exercício do cargo esses " assistentes individuais" entram logo para o quadro da função pública (...)são 230 de cada vez..."
Interessante.
BIRMÂNIA
Pois. Era o que se esperava. A táctica de correr à bala os que protestam resulta desde 1960, naquele país. Pensam os ditadores e muito bem, "por que deveria ser diferente, desta vez?"
O Daniel tem razão, é pena não ter petróleo ou diamantes ou assim. Nesse caso, as nações-farol do tempo que vivemos já teriam enviado para lá tropas, canhões e o diabo-a-quatro. Agora quem é que quer saber de um povo milenar enfiado quase no meio da selva?
E sobre a posição da China, é interessante ler isto.
ps: o idiota do embaixador português na Tailândia, que deve ser a mesma criatura dos tempos do tsunami, parece que no meio dos seus períodos abundantes de férias, mandou dizer que "não há portugueses a residir na Birmânia", e no seu esforço de informação (uma canseira) "não sabe se há turistas". Admirava-me era que soubesse alguma coisa...
Pois. Era o que se esperava. A táctica de correr à bala os que protestam resulta desde 1960, naquele país. Pensam os ditadores e muito bem, "por que deveria ser diferente, desta vez?"
O Daniel tem razão, é pena não ter petróleo ou diamantes ou assim. Nesse caso, as nações-farol do tempo que vivemos já teriam enviado para lá tropas, canhões e o diabo-a-quatro. Agora quem é que quer saber de um povo milenar enfiado quase no meio da selva?
E sobre a posição da China, é interessante ler isto.
ps: o idiota do embaixador português na Tailândia, que deve ser a mesma criatura dos tempos do tsunami, parece que no meio dos seus períodos abundantes de férias, mandou dizer que "não há portugueses a residir na Birmânia", e no seu esforço de informação (uma canseira) "não sabe se há turistas". Admirava-me era que soubesse alguma coisa...
26 de setembro de 2007
MASS ME(R)DIA
Ainda me lembro do tempo em que os jornalistas portugueses se interessavam pelas coisas relevantes que aconteciam. Agora, só querem saber da "POLÉMICA!!!!!". Aquilo que não tendo interesse nenhum poderia servir numa conversa de comadres. O jornalismo actual português não é nada. Não significa nada. Não tem qualquer valor.
Dá de comer a muita gente. Mas nisso não há diferença entre o excesso de pessoal de uma autarquia e a prática desta profissão: a manutenção dos seus postos de trabalho é apenas uma questão social.
O resto é irrelevante.
Ainda me lembro do tempo em que os jornalistas portugueses se interessavam pelas coisas relevantes que aconteciam. Agora, só querem saber da "POLÉMICA!!!!!". Aquilo que não tendo interesse nenhum poderia servir numa conversa de comadres. O jornalismo actual português não é nada. Não significa nada. Não tem qualquer valor.
Dá de comer a muita gente. Mas nisso não há diferença entre o excesso de pessoal de uma autarquia e a prática desta profissão: a manutenção dos seus postos de trabalho é apenas uma questão social.
O resto é irrelevante.
25 de setembro de 2007
R.N.E.S. (Rede Não Estás Sozinho)
O A. Jorge Gonçalves (que tem um novo site de visita mais do que recomendável) passou à frente esta informação de emprego. Pode ser que sirva a algum intermitente.
PRODUTOR(A) EXECUTIVO(A)
com formação e experiência profissional em produção teatral
disponibilidade imediata | full-time
viatura própria
ASSISTENTES DE PRODUÇÃO
para projectos pontuais | part-time
ASSISTENTES TÉCNICOS LUZ & SOM
com experiência teatral, para projectos pontuais | part-time
ENVIAR CV + FOTO > inestetica@mail.telepac.pt
Inestética companhia teatral, Vila Franca de Xira
www.inestetica.com
O A. Jorge Gonçalves (que tem um novo site de visita mais do que recomendável) passou à frente esta informação de emprego. Pode ser que sirva a algum intermitente.
PRODUTOR(A) EXECUTIVO(A)
com formação e experiência profissional em produção teatral
disponibilidade imediata | full-time
viatura própria
ASSISTENTES DE PRODUÇÃO
para projectos pontuais | part-time
ASSISTENTES TÉCNICOS LUZ & SOM
com experiência teatral, para projectos pontuais | part-time
ENVIAR CV + FOTO > inestetica@mail.telepac.pt
Inestética companhia teatral, Vila Franca de Xira
www.inestetica.com
24 de setembro de 2007
COISAS MAIS IMPORTANTES...
estão a acontecer do outro lado do mundo. A eterna junta militar que mantém a Birmânia debaixo do seu jugo há muito tempo está a ser confrontada com a maior manifestação de protesto, de sempre. Aos milhares de monges juntou-se a população. Até ao momento em que escrevo ainda não foi aberto fogo sobre os manifestantes, nem há prisões. Vamos ver no que dá. Quando a China se defrontou com Tianamen (já vou ver como é que se escreve) também parecia que as coisas iriam mudar. Afinal, a ditadura continua lá. Só que com mais dinheiro, o que não nos descansa.
Voltando à Birmânia, esperemos que seja desta vez que a presidente eleita há 17 anos e em prisão domiciliária, seja libertada.
Mais informação aqui.
estão a acontecer do outro lado do mundo. A eterna junta militar que mantém a Birmânia debaixo do seu jugo há muito tempo está a ser confrontada com a maior manifestação de protesto, de sempre. Aos milhares de monges juntou-se a população. Até ao momento em que escrevo ainda não foi aberto fogo sobre os manifestantes, nem há prisões. Vamos ver no que dá. Quando a China se defrontou com Tianamen (já vou ver como é que se escreve) também parecia que as coisas iriam mudar. Afinal, a ditadura continua lá. Só que com mais dinheiro, o que não nos descansa.
Voltando à Birmânia, esperemos que seja desta vez que a presidente eleita há 17 anos e em prisão domiciliária, seja libertada.
Mais informação aqui.
O PROBLEMA FLUVIAL
Antes, tinha no sítio deste post, um outro, em que mostrava a minha surpresa com a escolha do título RIO DAS FLORES, por parte da minha editora, para o novo livro de Miguel Sousa Tavares. Um rio, ainda que da Glória, por ano, deveria ser suficiente...
Retirei-o.
Para quê fazer chover no molhado?
Antes, tinha no sítio deste post, um outro, em que mostrava a minha surpresa com a escolha do título RIO DAS FLORES, por parte da minha editora, para o novo livro de Miguel Sousa Tavares. Um rio, ainda que da Glória, por ano, deveria ser suficiente...
Retirei-o.
Para quê fazer chover no molhado?
22 de setembro de 2007
DIA EUROPEU SEM CARROS
Agora que já vai longe o tempo em que a criatura de cabelo lambido por um cão (Gucci), conhecida por Santana Lopes declarou este dia como "uma palhaçada", ele voltou.
Lisboa,entre outras cidades, fica um dia com menos trânsito, menos poluição sonora e atmosférica.
Há muitas alternativas urbanas aos carros poluentes. A Segway por exemplo.
Este é o modelo que se usa nas cidades europeias:
Mas eu aconselharia para Lisboa, este. Tem mais a ver com as condições do terreno...
Agora que já vai longe o tempo em que a criatura de cabelo lambido por um cão (Gucci), conhecida por Santana Lopes declarou este dia como "uma palhaçada", ele voltou.
Lisboa,entre outras cidades, fica um dia com menos trânsito, menos poluição sonora e atmosférica.
Há muitas alternativas urbanas aos carros poluentes. A Segway por exemplo.
Este é o modelo que se usa nas cidades europeias:
Mas eu aconselharia para Lisboa, este. Tem mais a ver com as condições do terreno...
20 de setembro de 2007
UM LINK
Por distracção minha, não tinha dado pelo blogue dos booktailors. Para quem se interessa pela edição e pelos seus meandros, é o sítio ideal para visitar (também indicam alguns empregos na área).
ps: Ver de perto a história da Bertrand que depois de andar anos a abrir lojas, não pagando às editoras, decidiu agora pedir descontos, ao que parece, absurdos. Eu, como tenho os meus livros (dignamente acompanhados por outros literariamente mais importantes) no fundinho das lojas, já desisti há muito tempo de lá comprar alguma coisa. Embora, as permanentes e fascinantes conversas telefónicas das empregadas para as famílias e amigos justifiquem a deslocação...
Por distracção minha, não tinha dado pelo blogue dos booktailors. Para quem se interessa pela edição e pelos seus meandros, é o sítio ideal para visitar (também indicam alguns empregos na área).
ps: Ver de perto a história da Bertrand que depois de andar anos a abrir lojas, não pagando às editoras, decidiu agora pedir descontos, ao que parece, absurdos. Eu, como tenho os meus livros (dignamente acompanhados por outros literariamente mais importantes) no fundinho das lojas, já desisti há muito tempo de lá comprar alguma coisa. Embora, as permanentes e fascinantes conversas telefónicas das empregadas para as famílias e amigos justifiquem a deslocação...
REDE
Embora esteja nos comentários, destaco a pista que nos enviou o Jorge V.N. AQUI e AQUI.
E respondendo à Olinda, basta fazer chegar aqui a informação de um link ou de um trabalho de que se ouviu falar. Pistas que possam ajudar alguém a melhorar esta ridícula pobreza envergonhada de tantos agentes culturais. Há milhares de "intermitentes" que agradecem.E quanto mais persistentes formos mais as "formigas" construirão os seus estranhos e indispensáveis "formigueiros".
;)
Embora esteja nos comentários, destaco a pista que nos enviou o Jorge V.N. AQUI e AQUI.
E respondendo à Olinda, basta fazer chegar aqui a informação de um link ou de um trabalho de que se ouviu falar. Pistas que possam ajudar alguém a melhorar esta ridícula pobreza envergonhada de tantos agentes culturais. Há milhares de "intermitentes" que agradecem.E quanto mais persistentes formos mais as "formigas" construirão os seus estranhos e indispensáveis "formigueiros".
;)
19 de setembro de 2007
AQUILINO
Basta ler o primeiro parágrafo de QUANDO OS LOBOS UIVAM para se perceber imediatamente a diferença entre um grande escritor e um bluff com amigos nos jornais. É denso, emocionante e toca os sentimentos humanos de uma forma "carnal", visceral.
Ao carregar-lhe com os ossos para o Panteão, o "Estado" na figura do governo ou de algum departamento ministerial de que desconheço o nome (Gabinete de Relicária?) julga cumprir o seu dever para com o escritor. Não cumpre. Cumpriríamos todos se o lêssemos. Se soubessemos do que se está a falar quando se discute o seu trabalho. Se um grupo numeroso de pessoas entendesse por que razão alguém se lembrou desta homenagem.
Aquilino cumpre, aos olhos desta gente, apenas dois critérios: ouviram falar do nome e está morto.
A ministra fala de "escritor regional" (como falou de "divulgador da cultura portuguesa no estrangeiro" no funeral de EPC. Adjectivos não lhe faltam...). Tem razão. Embora do quintal dele se visse o interior dos homens.
No momento em que escrevo, a RTP transmite (acabou de) em directo a cerimónia. Levou câmaras, gruas, carros de exterior e a menina que apresentava a bola e que agora apresenta jornais. De caminho juntou-lhe uma outra jovenzinha que não um faz um boi de ideia sobre quem foi o homem. Sabe que está morto e que escreveu livros que ela nunca leu ou lerá. A RTP, paga com o nosso dinheiro, cobre este acontecimento com o desprendimento ignorante com que sempre se vestiu. Manda os piores fazer o trabalho chato.
Salvaram-se os comentários do meu amigo Baptista Bastos, pedagógico e paciente com toda aquela manifestação ignara. Alguém que tinha alguma coisa a dizer no meio... daquilo. Bem-haja pelo esforço.
Basta ler o primeiro parágrafo de QUANDO OS LOBOS UIVAM para se perceber imediatamente a diferença entre um grande escritor e um bluff com amigos nos jornais. É denso, emocionante e toca os sentimentos humanos de uma forma "carnal", visceral.
Ao carregar-lhe com os ossos para o Panteão, o "Estado" na figura do governo ou de algum departamento ministerial de que desconheço o nome (Gabinete de Relicária?) julga cumprir o seu dever para com o escritor. Não cumpre. Cumpriríamos todos se o lêssemos. Se soubessemos do que se está a falar quando se discute o seu trabalho. Se um grupo numeroso de pessoas entendesse por que razão alguém se lembrou desta homenagem.
Aquilino cumpre, aos olhos desta gente, apenas dois critérios: ouviram falar do nome e está morto.
A ministra fala de "escritor regional" (como falou de "divulgador da cultura portuguesa no estrangeiro" no funeral de EPC. Adjectivos não lhe faltam...). Tem razão. Embora do quintal dele se visse o interior dos homens.
No momento em que escrevo, a RTP transmite (acabou de) em directo a cerimónia. Levou câmaras, gruas, carros de exterior e a menina que apresentava a bola e que agora apresenta jornais. De caminho juntou-lhe uma outra jovenzinha que não um faz um boi de ideia sobre quem foi o homem. Sabe que está morto e que escreveu livros que ela nunca leu ou lerá. A RTP, paga com o nosso dinheiro, cobre este acontecimento com o desprendimento ignorante com que sempre se vestiu. Manda os piores fazer o trabalho chato.
Salvaram-se os comentários do meu amigo Baptista Bastos, pedagógico e paciente com toda aquela manifestação ignara. Alguém que tinha alguma coisa a dizer no meio... daquilo. Bem-haja pelo esforço.
18 de setembro de 2007
PERSEPOLIS
O filme de Marjane Satrapi, a partir da série (maravilhosa) de livros, terá ante-estreia na Festa do Cinema Francês. A partir da história verídica da autora, obrigada a abandonar o seu país tomado pelos radicais islâmicos.
A não perder.
Check out this video: Persepolis - Bande Annonce "Clip"
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Aqui, uma entrevista de Marjane.
O filme de Marjane Satrapi, a partir da série (maravilhosa) de livros, terá ante-estreia na Festa do Cinema Francês. A partir da história verídica da autora, obrigada a abandonar o seu país tomado pelos radicais islâmicos.
A não perder.
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Aqui, uma entrevista de Marjane.
REDE NÃO ESTÁS SOZINHO
Escrevi a alguns amigos o seguinte texto (abreviado):
"RNES.
Parece-me que era bom irmos criando redes informais de sobrevivência. Numa altura em que a Cultura só não caiu no limbo, porque o Vaticano se lembrou que afinal nunca houve limbo (Céu e Inferno, tudo limpinho e directo), parece-me interessante pensarmos uns nos outros, em vez de nos safarmos sozinhos e a custo.
Estas iniciais, por exemplo, são para Rede Não Estás Sozinho. São apenas iniciais, mas que significam que poderemos trocar entre nós, dificuldades e oportunidades. Pequenos trabalhos, disponibilidades, oportunidades de que se ouviu falar e que não servindo para nós podem ser úteis a outros(...)Passemos palavra uns aos outros.
Vamos esquecer por um bocadinho o egoísmo nacional e pensar em rede. Ou, neste caso, para bem dos outros em RNES."
Responderam todos, com ideias e propostas. O que me mostrou que não, não estamos sozinhos.
Daí que expanda a ideia:
Para quem quiser usar este blogue para pedir honestamente trabalho, temporário, ou não, ou, do outro lado, dar conhecimento de funções, artísticas ou não, mas que possam ajudar a sobreviver à intermitência da Cultura em Portugal, façam favor. Usem o e-mail, ou até os comentários, que eu publico em seguida.
Escrevi a alguns amigos o seguinte texto (abreviado):
"RNES.
Parece-me que era bom irmos criando redes informais de sobrevivência. Numa altura em que a Cultura só não caiu no limbo, porque o Vaticano se lembrou que afinal nunca houve limbo (Céu e Inferno, tudo limpinho e directo), parece-me interessante pensarmos uns nos outros, em vez de nos safarmos sozinhos e a custo.
Estas iniciais, por exemplo, são para Rede Não Estás Sozinho. São apenas iniciais, mas que significam que poderemos trocar entre nós, dificuldades e oportunidades. Pequenos trabalhos, disponibilidades, oportunidades de que se ouviu falar e que não servindo para nós podem ser úteis a outros(...)Passemos palavra uns aos outros.
Vamos esquecer por um bocadinho o egoísmo nacional e pensar em rede. Ou, neste caso, para bem dos outros em RNES."
Responderam todos, com ideias e propostas. O que me mostrou que não, não estamos sozinhos.
Daí que expanda a ideia:
Para quem quiser usar este blogue para pedir honestamente trabalho, temporário, ou não, ou, do outro lado, dar conhecimento de funções, artísticas ou não, mas que possam ajudar a sobreviver à intermitência da Cultura em Portugal, façam favor. Usem o e-mail, ou até os comentários, que eu publico em seguida.
17 de setembro de 2007
OS MUNDOS CIBERNÉTICOS
Como diria uma tia de Cascais: "É só rir!".
Hoje a minha viagem foi pelo Hi5...
fiquei a saber que o Herman anda com poucos amigos (161). Mas que uma das amigas dele tem mais de 700... E que um deles se chama "Botas"... e que o Botas, por sua vez, tem uma amiga que gosta muito dele. O texto dela foi;
"Ola lindo,tenho saudades das tuas maos no meu corpo...Beijos doces minha botinha linda...Adore-te"
Kida Filipinha nós também te "aderamos"!
Ps: se quiserem fazer como o António que a acha uma "miúda giríssima" podem ir aqui e de lá até ao fim do mundo...

Este é o António
Como diria uma tia de Cascais: "É só rir!".
Hoje a minha viagem foi pelo Hi5...
fiquei a saber que o Herman anda com poucos amigos (161). Mas que uma das amigas dele tem mais de 700... E que um deles se chama "Botas"... e que o Botas, por sua vez, tem uma amiga que gosta muito dele. O texto dela foi;
"Ola lindo,tenho saudades das tuas maos no meu corpo...Beijos doces minha botinha linda...Adore-te"
Kida Filipinha nós também te "aderamos"!
Ps: se quiserem fazer como o António que a acha uma "miúda giríssima" podem ir aqui e de lá até ao fim do mundo...

Este é o António
15 de setembro de 2007
INTERMITENTES
"Aviso a todos os profissionais das Artes do Espectáculo e Audiovisual
(encontro no próximo dia 17 de Setembro, 2ª feira, às 21h30m na RE.AL (Rua do Poço dos Negros n.º55)"
Era bom que este executivo percebesse que uma coisa é teimar com quem viveu sempre rodeado de privilégios e nem concebe que lhes possam tocar (os farmacêuticos, por exemplo)outra é não quer ver o grito de quem sofre. Mesmo mantendo um gabinete gerido por incompetentes como é o da Cultura,a chefia do executivo deveria ser sensível à nuance... Muitos foram os que votaram neles baseados na expectativa dessa sensibilidade.
"Aviso a todos os profissionais das Artes do Espectáculo e Audiovisual
(encontro no próximo dia 17 de Setembro, 2ª feira, às 21h30m na RE.AL (Rua do Poço dos Negros n.º55)"
Era bom que este executivo percebesse que uma coisa é teimar com quem viveu sempre rodeado de privilégios e nem concebe que lhes possam tocar (os farmacêuticos, por exemplo)outra é não quer ver o grito de quem sofre. Mesmo mantendo um gabinete gerido por incompetentes como é o da Cultura,a chefia do executivo deveria ser sensível à nuance... Muitos foram os que votaram neles baseados na expectativa dessa sensibilidade.
13 de setembro de 2007
11 de setembro de 2007
DOWN DOWN AND AWAY!!!
Hoje soube de duas jovens realizadoras: uma já emigrou e outra prepara as malas.
Não têm dinheiro para pagar a renda. Vão para fora, onde ao menos podem comer descansadas.
Primeiro foram os que cheiraram no ar a tempestade, agora os que não vislumbram futuro. Em breve, o resto dos melhores.
Vamos ver quem sobra.
Hoje soube de duas jovens realizadoras: uma já emigrou e outra prepara as malas.
Não têm dinheiro para pagar a renda. Vão para fora, onde ao menos podem comer descansadas.
Primeiro foram os que cheiraram no ar a tempestade, agora os que não vislumbram futuro. Em breve, o resto dos melhores.
Vamos ver quem sobra.
10 de setembro de 2007
MANÁ ENVENENADO
É difícil decidir o que é pior: uma matinal vizinha que estremunha os pardais gritando para o interior das escadas do prédio, ou um emigrante que mora nas traseiras e que não tem medo de fazer karaoke de temas como "Cheguei! Cheguei!".
Deus, na sua infinita distracção, julgou estar a fazer-me um favor e concedeu-me os dois...
(suspiro)
É difícil decidir o que é pior: uma matinal vizinha que estremunha os pardais gritando para o interior das escadas do prédio, ou um emigrante que mora nas traseiras e que não tem medo de fazer karaoke de temas como "Cheguei! Cheguei!".
Deus, na sua infinita distracção, julgou estar a fazer-me um favor e concedeu-me os dois...
(suspiro)
INTERMITENTES
Li o projecto de lei que regulamentará a situação dos milhares de indivíduos que ganham a sua vida no campo artístico, sem protecção de qualquer espécie e na total incerteza de ter o que comer vários meses por ano. Pareceu-me uma imbecilidade, ou não viesse do actual gabinete da Ministra da Cultura. Perante uma situação da maior urgência e preocupação estas criaturas propõem uma série de movimentos contratuais que não resolvem coisa nenhuma. Um documento tão incompetente que todos os outros que li eram melhores, incluindo os do PCP e do BE (bom, o do CDS não se percebia e o PSD não faz ideia de que alguém possa estar interessado em trabalhar na zona artística a não ser de nome e para ter um tacho...).
E contudo, as reivindicações são simples: a) queremos descontar tudo o que for devido ENQUANTO SE TRABALHA, b) quando não tivermos trabalho gostaríamos de receber subsídio de desemprego DE ACORDO COM OS DESCONTOS FEITOS.
Isto é complicado de perceber? Só um gabinete de gente estúpida é que não entenderia.
Li o projecto de lei que regulamentará a situação dos milhares de indivíduos que ganham a sua vida no campo artístico, sem protecção de qualquer espécie e na total incerteza de ter o que comer vários meses por ano. Pareceu-me uma imbecilidade, ou não viesse do actual gabinete da Ministra da Cultura. Perante uma situação da maior urgência e preocupação estas criaturas propõem uma série de movimentos contratuais que não resolvem coisa nenhuma. Um documento tão incompetente que todos os outros que li eram melhores, incluindo os do PCP e do BE (bom, o do CDS não se percebia e o PSD não faz ideia de que alguém possa estar interessado em trabalhar na zona artística a não ser de nome e para ter um tacho...).
E contudo, as reivindicações são simples: a) queremos descontar tudo o que for devido ENQUANTO SE TRABALHA, b) quando não tivermos trabalho gostaríamos de receber subsídio de desemprego DE ACORDO COM OS DESCONTOS FEITOS.
Isto é complicado de perceber? Só um gabinete de gente estúpida é que não entenderia.
FESTIVAIS
Chegou ao fim o Festival de Cinema de Terror de Lisboa. Pareceu-me, no geral, ter um balanço positivo. Uma boa afluência de público para um primeiro ano e uma escolha de filmes, maioritariamente simpática. Lembro que quanto mais especializada é a temática menor é o número de obras produzidas. E dessas, menor é a possibilidade de encontrar bons filmes.
E dentro de festivais de género, começa esta semana o "QUEER-Festival Gay e Lésbico". Embora do ponto de vista de "hospitalidade" aos diversos públicos me pareça que a alteração para "Queer" (estou para ver as traduções que vão fazer nos telejornais...) o afunile, a programação deu um grande salto qualitativo. Sobretudo nas longas-metragens, onde poderemos assistir a alguns dos melhores filmes produzidos nos dois últimos anos. Mais ou menos relacionados com a temática do festival, mas obras de grande interesse.
Ficamos todos a ganhar quando aparecem, ou se desenvolvem, festivais com boas programações. O que nem sempre acontece.
Chegou ao fim o Festival de Cinema de Terror de Lisboa. Pareceu-me, no geral, ter um balanço positivo. Uma boa afluência de público para um primeiro ano e uma escolha de filmes, maioritariamente simpática. Lembro que quanto mais especializada é a temática menor é o número de obras produzidas. E dessas, menor é a possibilidade de encontrar bons filmes.
E dentro de festivais de género, começa esta semana o "QUEER-Festival Gay e Lésbico". Embora do ponto de vista de "hospitalidade" aos diversos públicos me pareça que a alteração para "Queer" (estou para ver as traduções que vão fazer nos telejornais...) o afunile, a programação deu um grande salto qualitativo. Sobretudo nas longas-metragens, onde poderemos assistir a alguns dos melhores filmes produzidos nos dois últimos anos. Mais ou menos relacionados com a temática do festival, mas obras de grande interesse.
Ficamos todos a ganhar quando aparecem, ou se desenvolvem, festivais com boas programações. O que nem sempre acontece.
7 de setembro de 2007
ABRE A BOCA PASSARINHO QUE A MAMÃ QUER REGORGITAR A MINHOCA
Uma carta enviada a um jornal nacional reflectia de forma solar o pensamento de uma grande fatia das gerações pós-1975.
Um senhor, jovem, presumo, protestava sarcasticamente contra a ideia do actual governo em promover protocolos entre a Banca e o Estado para o empréstimo a estudantes. O rapaz odiava esta ideia de ter de se trabalhar para pagar os estudos. DE ELE ter de trabalhar para pagar o benefício que recebeu. O fim da universidade descontraída e feliz, da mama do Estado, depois da mama da mãe.
A nossa democracia criou milhões de indivíduos que acreditam que o dinheiro cai do céu e que não é preciso fazer mais do que gritar ou chorar para que ele apareça. Primeiro a casa dos pais até aos 20 ou 30 anos, depois o Estado-Providência. Caberia, nesta visão, aos outros a responsabilidade pelo seu bem-estar. Escola certinha e de borla, emprego certinho e de pouco esforço, reforma cedo para poder ir em cruzeiros pelo Mediterrâneo e assim sucessivamente. Esta ideia da Família-Estado já foi tentada, amigos. Durante décadas na União Soviética, só para dar um exemplo. Mas não só não resultou, por contrária à natureza empreendedora que reside no interior dos seres humanos (aparentemente, dos portugueses, nem por isso…), como conduziu a inevitáveis racionamentos de bens, fecho ao resto do mundo e privação de liberdades várias.
Sugeria que começassem a trabalhar, a responsabilizar-se pela educação e desenvolvimento pessoal. Porque os papás, mesmo os papás-estado, morrem um dia.
CONTOS DE TERROR
Foi ontem o lançamento da colectânea de contos de terror, "CONTOS DE TERROR DO HOMEM-PEIXE", pela editora que tem o maravilhoso nome "Chimpazé Intelectual".
É uma boa ideia, juntar escritores mais conhecidos ("mainstream", como diria um dos autores convidados) com outros menos conhecidos ("lowstream"?), acrescentando ainda os vencedores do concurso de contos ("futureornotstream") promovido no âmbito do Festival de Terror, Motelx. Isso torna a coisa mais diversificada e atenua o inevitável desiquilíbrio das encomendas literárias.
Para mim, foi uma boa experiência pensar um género específico. Normalmente, quando escrevo um conto ou romance, trabalho sem referências ou rede. E isso... é muito mais assustador.
Também foi bom ver a sala cheia de gente a assistir ao lançamento. O terror e o festival de cinema MOTELX estão, também por este lado, de parabéns.
4 de setembro de 2007
RENTREE
Ontem perguntaram-me por telefone se "ia mais ou menos". Eu respondi que "ia bem". Que estava sol, tinha a barriga cheia e de saúde. Por isso, estava bem.
No regresso (sobretudo dos outros) ao trabalho, deixo que novas ideias se formem e projectos nasçam em mim do nada. É Setembro, quando o novo ano começa.
Ontem perguntaram-me por telefone se "ia mais ou menos". Eu respondi que "ia bem". Que estava sol, tinha a barriga cheia e de saúde. Por isso, estava bem.
No regresso (sobretudo dos outros) ao trabalho, deixo que novas ideias se formem e projectos nasçam em mim do nada. É Setembro, quando o novo ano começa.
2 de setembro de 2007
MUSEUS
Uma das maiores originalidades que se pode praticar em Portugal, ao domingo, é ir ao museu. Com os centros comerciais ali mesmo ao lado, cheínhos de gente a consumir ou a consumir-se por não o poder fazer, há malucos que perdem tempo a perceber a hístória do seu país ou a maravilhar-se com a arte.
Nunca tinha visitado o Museu do Traje. Nem o do Teatro. Os dois lado a lado, para os lados do Lumiar. Foi hoje.
Não são muito grandes, mas bastante agradáveis, e o pessoal é simpático e acolhedor. Desconfio que na minha distracção devo ter perdido algumas salas, pois a história do vestuário em Portugal há-de ser maior... Mas ainda assim, gostei bastante.
Também esperava um museu do teatro com um espólio maior, mas o resultado foi igualmente agradável.
E para melhorar este efeito contribuiu a visita ao jardim botânico que preenche a propriedade. Bem tratado, de grande dimensão e com uma variedade enorme de plantas. Por cima das copas das árvores mais altas, várias espécies de pássaros, alguns tropicais (presumo que fugidos de cativeiro incerto...).
Desconfio que vou continuar a trocar as delícias de passear no Centro Comercial Colombo por mais uns domingos...
Uma das maiores originalidades que se pode praticar em Portugal, ao domingo, é ir ao museu. Com os centros comerciais ali mesmo ao lado, cheínhos de gente a consumir ou a consumir-se por não o poder fazer, há malucos que perdem tempo a perceber a hístória do seu país ou a maravilhar-se com a arte.
Nunca tinha visitado o Museu do Traje. Nem o do Teatro. Os dois lado a lado, para os lados do Lumiar. Foi hoje.
Não são muito grandes, mas bastante agradáveis, e o pessoal é simpático e acolhedor. Desconfio que na minha distracção devo ter perdido algumas salas, pois a história do vestuário em Portugal há-de ser maior... Mas ainda assim, gostei bastante.
Também esperava um museu do teatro com um espólio maior, mas o resultado foi igualmente agradável.
E para melhorar este efeito contribuiu a visita ao jardim botânico que preenche a propriedade. Bem tratado, de grande dimensão e com uma variedade enorme de plantas. Por cima das copas das árvores mais altas, várias espécies de pássaros, alguns tropicais (presumo que fugidos de cativeiro incerto...).
Desconfio que vou continuar a trocar as delícias de passear no Centro Comercial Colombo por mais uns domingos...
31 de agosto de 2007
WAR
A Tvi é que é boa nisto. Qualquer notícia se reveste de dramatismo. No caso da vitória de Jardim Gonçalves sobre Teixeira Pinto até ilustrou com tanques de guerra. Manifestamente parece-me exagero.
Trata-se apenas de dinheiro. O primeiro deu milhões a ganhar à Opus Dei e aos seus apaniguados. O segundo trouxe prejuízo, com o disparate da Opa sobre o Bpi.
Só dinheiro e poder. Não houve mortes. Quanto muito, menos umas idas de jacto privado para o ex-chefe do BCP...
A Tvi é que é boa nisto. Qualquer notícia se reveste de dramatismo. No caso da vitória de Jardim Gonçalves sobre Teixeira Pinto até ilustrou com tanques de guerra. Manifestamente parece-me exagero.
Trata-se apenas de dinheiro. O primeiro deu milhões a ganhar à Opus Dei e aos seus apaniguados. O segundo trouxe prejuízo, com o disparate da Opa sobre o Bpi.
Só dinheiro e poder. Não houve mortes. Quanto muito, menos umas idas de jacto privado para o ex-chefe do BCP...
30 de agosto de 2007
21 de agosto de 2007
O AMIGUINHO
Perante as irregularidades detectadas pelo Tribunal de Contas na gestão da Cãmara do Funchal, Marques Mendes já se veio mostrar solidário. Tal como tinha feito há pouco tempo com Alberto João, o antigo inimigo.
Mas não haverá ninguém que diga a esta... caganita de fato que este estilo antigo de fazer política, enfiando debaixo do tapete tudo o que tira votos, já deu o que tinha a dar?
Oh, valha-me a nossa senhora do Paúl do Mar...!
Perante as irregularidades detectadas pelo Tribunal de Contas na gestão da Cãmara do Funchal, Marques Mendes já se veio mostrar solidário. Tal como tinha feito há pouco tempo com Alberto João, o antigo inimigo.
Mas não haverá ninguém que diga a esta... caganita de fato que este estilo antigo de fazer política, enfiando debaixo do tapete tudo o que tira votos, já deu o que tinha a dar?
Oh, valha-me a nossa senhora do Paúl do Mar...!
FÉRIAS
Por assim dizer, por uns dias, no país real.
Não falei aqui de uma viagem por mar,mar a sério, nem de baleias à distância no mau tempo, ou dos golfinhos que desafiaram a proa do veleiro. E contudo, também se passou. Como também aconteceu fado com uma fadista melhor do que a Mariza - e que acha que não canta nada - agarrada à parede do navio para não cair, e o fado, o que há de mais portugês em nós, a silenciar provisoriamente amigos espanhóis. Para falar disso, teria de falar de Espanha e dos convites amigos e respeitosos pelos escritores. Aqui mesmo ao lado.
Por assim dizer, por uns dias, no país real.
Não falei aqui de uma viagem por mar,mar a sério, nem de baleias à distância no mau tempo, ou dos golfinhos que desafiaram a proa do veleiro. E contudo, também se passou. Como também aconteceu fado com uma fadista melhor do que a Mariza - e que acha que não canta nada - agarrada à parede do navio para não cair, e o fado, o que há de mais portugês em nós, a silenciar provisoriamente amigos espanhóis. Para falar disso, teria de falar de Espanha e dos convites amigos e respeitosos pelos escritores. Aqui mesmo ao lado.
17 de agosto de 2007
8 de agosto de 2007
O PROBLEMA DA RUTEMARLENE
De todo o lado me chegam convites para abrilhantar feiras do livro, colóquios,etc, etc.
É lisongeiro, dirão.
Não.
Pedem-me, como aliás pedem a toda a gente, que nos metamos no carro, façamos 100, 200, 300 quilómetros para lhes ir abrilhantar a festa, de borla. Que interrompamos o nosso trabalho, as nossas férias, o nosso tempo com a família e partamos para os locais mais afastados sem receber nada em troca. Tipo missão.
Quando se lhes pergunta quanto é que estão a pensar pagar-nos pelo nosso esforço, respondem-nos, friamente, "que não estava previsto". Que o dinheiro foi todo para os cantores, pimbas ou não, para pagar às gráficas ou para o salário da pessoa que organiza.
Num país sem ministério da cultura, em que se ganha misérias com a venda dos livros basta fazer contas a uma deslocação dessas: 10% de um livro que custe 15 euros=1,5 euros x 20 livros- que é o que se assina numa coisa dessas, com sorte - é igual a 30 euros antes de impostos. Ou seja, uma deslocação de centenas de quilómetros, mais gasolina e portagens, mais um dia de trabalho perdido por 30 euros? É este o valor que nós temos para uma vereação de cultura, ou para um organizador de feira de livro?
O que acontece é que os melhores escritores ficam em casa. Naturalmente. Sobram os que têm vergonha de dizer não e os menos conhecidos, que ingenuamente pensam que esta participação lhes "irá abrir portas". Não vai. Enquanto deixarmos que nos tratem como lixo não se abrirá coisa nenhuma. Nós não somos lixo.
E quem paga 10.000 euros ou mais a um cantor pimba também pode arranjar 200 euros para pagar para essa coisa banal que é a Cultura.
Haja vergonha!
De todo o lado me chegam convites para abrilhantar feiras do livro, colóquios,etc, etc.
É lisongeiro, dirão.
Não.
Pedem-me, como aliás pedem a toda a gente, que nos metamos no carro, façamos 100, 200, 300 quilómetros para lhes ir abrilhantar a festa, de borla. Que interrompamos o nosso trabalho, as nossas férias, o nosso tempo com a família e partamos para os locais mais afastados sem receber nada em troca. Tipo missão.
Quando se lhes pergunta quanto é que estão a pensar pagar-nos pelo nosso esforço, respondem-nos, friamente, "que não estava previsto". Que o dinheiro foi todo para os cantores, pimbas ou não, para pagar às gráficas ou para o salário da pessoa que organiza.
Num país sem ministério da cultura, em que se ganha misérias com a venda dos livros basta fazer contas a uma deslocação dessas: 10% de um livro que custe 15 euros=1,5 euros x 20 livros- que é o que se assina numa coisa dessas, com sorte - é igual a 30 euros antes de impostos. Ou seja, uma deslocação de centenas de quilómetros, mais gasolina e portagens, mais um dia de trabalho perdido por 30 euros? É este o valor que nós temos para uma vereação de cultura, ou para um organizador de feira de livro?
O que acontece é que os melhores escritores ficam em casa. Naturalmente. Sobram os que têm vergonha de dizer não e os menos conhecidos, que ingenuamente pensam que esta participação lhes "irá abrir portas". Não vai. Enquanto deixarmos que nos tratem como lixo não se abrirá coisa nenhuma. Nós não somos lixo.
E quem paga 10.000 euros ou mais a um cantor pimba também pode arranjar 200 euros para pagar para essa coisa banal que é a Cultura.
Haja vergonha!
6 de agosto de 2007
5 de agosto de 2007
PARABÉNS!
Em comunicado, o Banco Espírito Santo anunciou: "O resultado do 1º semestre de 2007 totalizou 366,8 milhões de euros, o que representa um
crescimento homólogo de 83% e um ROE anualizado de 20,5%." Ao que consta, o BCP ganhou ainda mais, embora a aventura do BPI o tenha feito perder algum, e o resto dos bancos idem.
Quero aqui saudar os accionistas ganhadores, dar-lhes os meus parabéns em nome dos milhões de portugueses que passam as maiores dificuldades para pagar as prestações da casa, do número crescente de sem-abrigo que todas as noites estende os seus cartões na rua, da população idosa que adormece com barriga reconfortada a pão e leite, dos artistas que definitivamente deixaram de ter dinheiro para comer quanto mais para criar. Do país real, em suma.
Parabéns.
Mais um bocadinho e teremos as rodas dos ganhões, com homens ansiosos encostados às paredes enquanto o capataz aponta o dedo aos que nesse dia poderão alimentar as suas famílias.
Na nossa originalidade portuguesa conseguimos fazer o tempo andar para trás. Pelas minhas contas devemos estar para aí em 1973.
Em comunicado, o Banco Espírito Santo anunciou: "O resultado do 1º semestre de 2007 totalizou 366,8 milhões de euros, o que representa um
crescimento homólogo de 83% e um ROE anualizado de 20,5%." Ao que consta, o BCP ganhou ainda mais, embora a aventura do BPI o tenha feito perder algum, e o resto dos bancos idem.
Quero aqui saudar os accionistas ganhadores, dar-lhes os meus parabéns em nome dos milhões de portugueses que passam as maiores dificuldades para pagar as prestações da casa, do número crescente de sem-abrigo que todas as noites estende os seus cartões na rua, da população idosa que adormece com barriga reconfortada a pão e leite, dos artistas que definitivamente deixaram de ter dinheiro para comer quanto mais para criar. Do país real, em suma.
Parabéns.
Mais um bocadinho e teremos as rodas dos ganhões, com homens ansiosos encostados às paredes enquanto o capataz aponta o dedo aos que nesse dia poderão alimentar as suas famílias.
Na nossa originalidade portuguesa conseguimos fazer o tempo andar para trás. Pelas minhas contas devemos estar para aí em 1973.
3 de agosto de 2007
2 de agosto de 2007
UMA ORAÇÃO DE SOPHIA
Numa altura em que os mais liberais de entre nós estão conscientes do triunfo do capitalismo mais selvagem, onde as editoras de livros ou de música lutam apenas pelo lucro, massacrando no caminho a razão inicial da sua existência, talvez este poema ajude:
"REZA DA MANHÃ DE MAIO
Senhor, dai-me a inocência dos animais
Para que eu possa beber nesta manhã
A harmonia e a força das coisas naturais.
Apagai a máscara vazia e vã
De humanidade
Apagai a vaidade
Para que eu me perca e me dissolva
Na perfeição da manhã
E para que o vento me devolva
A parte de mim que vive
À beira dum jardim que só eu tive."
Sophia de Mello Breyner Andresen
in "Dia do Mar"
Numa altura em que os mais liberais de entre nós estão conscientes do triunfo do capitalismo mais selvagem, onde as editoras de livros ou de música lutam apenas pelo lucro, massacrando no caminho a razão inicial da sua existência, talvez este poema ajude:
"REZA DA MANHÃ DE MAIO
Senhor, dai-me a inocência dos animais
Para que eu possa beber nesta manhã
A harmonia e a força das coisas naturais.
Apagai a máscara vazia e vã
De humanidade
Apagai a vaidade
Para que eu me perca e me dissolva
Na perfeição da manhã
E para que o vento me devolva
A parte de mim que vive
À beira dum jardim que só eu tive."
Sophia de Mello Breyner Andresen
in "Dia do Mar"
1 de agosto de 2007
FILMES
Esta curta tem feito uma bela carreira em festivais. Pode ser vista aqui (por agora), no site do festival de Motovun, Croácia (um conhecido evento que ocorre anualmente nessa pequena cidade, arrastando milhares de pessoas, durante 5 dias).
Esta curta tem feito uma bela carreira em festivais. Pode ser vista aqui (por agora), no site do festival de Motovun, Croácia (um conhecido evento que ocorre anualmente nessa pequena cidade, arrastando milhares de pessoas, durante 5 dias).
DE VOLTA AO PAÍS PATÉTICO

Logo de manhã, fui aos Correios, cheios que nem um ovo. Tiro a senha da vez, faltam quarenta números para ser atendido. Decido ir ao Minipreço que está à cunha, cheio de gente deprimida e pobre que não foi de férias porque como a maioria dos portugueses anda a bater com a perna uma na outra, que é como quem diz na antecâmara da fome. Compro ovos, maçãs baratas, pão e hesito nos iogurtes Actimel que são mais caros.
De volta aos correios, espero mais meia-hora pela minha vez de levantar uma carta registada das Finanças a ameaçar-me que me vão multar por não encontrarem um pagamento de imposto, que foi pago e de que até tenho recibo, mas que o sistema maravilhoso que o tipo do BCP-Impostos não detectou. Lá irei amanhã, mais uma hora para a fila da minha repartição, para mostrar o papelinho que eles deveriam ter visto.
O país dos ruben-filipes está igual a si mesmo. Eu é que acabei de chegar e ainda noto.

Logo de manhã, fui aos Correios, cheios que nem um ovo. Tiro a senha da vez, faltam quarenta números para ser atendido. Decido ir ao Minipreço que está à cunha, cheio de gente deprimida e pobre que não foi de férias porque como a maioria dos portugueses anda a bater com a perna uma na outra, que é como quem diz na antecâmara da fome. Compro ovos, maçãs baratas, pão e hesito nos iogurtes Actimel que são mais caros.
De volta aos correios, espero mais meia-hora pela minha vez de levantar uma carta registada das Finanças a ameaçar-me que me vão multar por não encontrarem um pagamento de imposto, que foi pago e de que até tenho recibo, mas que o sistema maravilhoso que o tipo do BCP-Impostos não detectou. Lá irei amanhã, mais uma hora para a fila da minha repartição, para mostrar o papelinho que eles deveriam ter visto.
O país dos ruben-filipes está igual a si mesmo. Eu é que acabei de chegar e ainda noto.
15 de julho de 2007
PENSAR
Foi divertido assistir à participação das pessoas nesta criação, "A Educação Sentimental". Algumas saíram de lá mais atentas, outras apenas satisfeitas com a experiência. Houve alguns que não perceberam nada, mas gostaram das meninas.
E muitos ficaram a falar com a "Mãe Maria", no papel de senhora incapaz de triunfar numa sociedade que privilegia o egoísmo e a superficialidade.
O meu obrigado ao C.E.M. pelo convite de participação no Festival Pedras d'Água.
Aqui ficam as fotos do evento. As restantes podem ser vistas no site do CEM.



Foi divertido assistir à participação das pessoas nesta criação, "A Educação Sentimental". Algumas saíram de lá mais atentas, outras apenas satisfeitas com a experiência. Houve alguns que não perceberam nada, mas gostaram das meninas.
E muitos ficaram a falar com a "Mãe Maria", no papel de senhora incapaz de triunfar numa sociedade que privilegia o egoísmo e a superficialidade.
O meu obrigado ao C.E.M. pelo convite de participação no Festival Pedras d'Água.
Aqui ficam as fotos do evento. As restantes podem ser vistas no site do CEM.
13 de julho de 2007
11 de julho de 2007
MAS POR QUE É QUE OS GAJOS MEXEM NAS COISAS?
Afinal estamos perante um consenso quase nacional: os jornalistas estão seguros que um governo que lhes acaba com o serviço próprio de saúde é para abater, os funcionários públicos têm a certeza que não é bom para eles serem avaliados pelo mérito, o governo regional da madeira que um governo que tenta impedir a corrupção generalizada com que se banqueteia é um filhodaputa e por aí fora...
Até estou admirado com as farmacêuticas que perderam o monopólio de chularem os portugueses a seu belo prazer e que ainda não arranjaram forma de destruírem este primeiro-ministro. Não devem estar a seguir as lições da Bayer, com certeza...
Nunca a inércia endémica deste país foi tão abalada, e isso, não passará sem o ressentimento do próprio objecto de melhoramento.
ps: só para esclarecer que não acredito em santos, mas que há gente cuja teimosia poderá dar frutos a longo prazo. Ah... e também não sou candidato a nenhum tacho, autárquico ou governamental. Se fosse ter-me-ia sentado na primeira fila de uma "sessão com a cultura", com a minha melhor roupa e estaria a discursar no próximo comício. Se aspirasse a director da Casa Fernando Pessoa, por exemplo.
Afinal estamos perante um consenso quase nacional: os jornalistas estão seguros que um governo que lhes acaba com o serviço próprio de saúde é para abater, os funcionários públicos têm a certeza que não é bom para eles serem avaliados pelo mérito, o governo regional da madeira que um governo que tenta impedir a corrupção generalizada com que se banqueteia é um filhodaputa e por aí fora...
Até estou admirado com as farmacêuticas que perderam o monopólio de chularem os portugueses a seu belo prazer e que ainda não arranjaram forma de destruírem este primeiro-ministro. Não devem estar a seguir as lições da Bayer, com certeza...
Nunca a inércia endémica deste país foi tão abalada, e isso, não passará sem o ressentimento do próprio objecto de melhoramento.
ps: só para esclarecer que não acredito em santos, mas que há gente cuja teimosia poderá dar frutos a longo prazo. Ah... e também não sou candidato a nenhum tacho, autárquico ou governamental. Se fosse ter-me-ia sentado na primeira fila de uma "sessão com a cultura", com a minha melhor roupa e estaria a discursar no próximo comício. Se aspirasse a director da Casa Fernando Pessoa, por exemplo.
10 de julho de 2007

OS ÚLTIMOS DIAS
Trabalhar, trabalhar, antes que o sol aqueça demasiado e as férias se instalem por todo o lado.
Nas escadas do meu prédio, os vizinhos de cima fazem uma barulheira a descer às 7.55 h. Depreendo que não seja pela alegria ao trabalho, mas sim pela perspectiva dos dias sentados nas cadeiras de campismo, do som da novela na televisão pequena com duas antenas, e o antecipar do marulhar da babugem sobre as pernas cansadas.
Um último esforço antes dos dias de felicidade em pacote.
7 de julho de 2007
AS FLORES VISTAS DE BAIXO (4)
Julgámo-nos em segurança nessa última noite, enquanto partilhávamos a terrina da sopa, onde os feijões que havíamos colhido na horta se despediam da terra. Julgámo-nos em segurança quando nos despedimos para dormir, Vale subiu até ao seu nicho dividido por um tapume de todos nós, eu trepei de um salto até à minha cama a cheirar à casca recém-cortada dos pinheiros e a mãe deu um beijo na testa de Jacinta, levada em braços pelo meu pai.
Mas enquanto as luzes se desligavam na nossa casa de madeira já eles cruzavam os campos de lírios e os ribeiros. Já mordiam buchas de pão, sem tirarem os olhos do caminho ou das tochas do guia que lhes assegurava não faltar muito.
Quando o dia nasceu, estavam tão perto da nossa casa que quase nos podiam avistar. E foi em murmúrios que os homens e as mulheres disseram às crianças e a si próprios por que razões vinham à nossa procura. Foi num sussurro que apertaram às mãos as correias que seguravam as mocas, cuidadosamente esculpidas para abrir um crânio com um golpe seco; ou afiaram as navalhas que antes tinham servido para cortar o caule de pé de milho ou uma fatia de enchido. Homens, mulheres e crianças de olhos claros que não reflectiam o dia, chegaram ao início da manhã. Tinham os pés sobre as flores.
O pai não os ouviu, com o barulho da serra, e quando os avistou, mal teve tempo de se defender. Caiu no chão com a sobrancelha rasgada e duas lanças no peito, cravadas em uníssono por dois rapazinhos gémeos de quem se esperavam grandes feitos.
Julgámo-nos em segurança nessa última noite, enquanto partilhávamos a terrina da sopa, onde os feijões que havíamos colhido na horta se despediam da terra. Julgámo-nos em segurança quando nos despedimos para dormir, Vale subiu até ao seu nicho dividido por um tapume de todos nós, eu trepei de um salto até à minha cama a cheirar à casca recém-cortada dos pinheiros e a mãe deu um beijo na testa de Jacinta, levada em braços pelo meu pai.
Mas enquanto as luzes se desligavam na nossa casa de madeira já eles cruzavam os campos de lírios e os ribeiros. Já mordiam buchas de pão, sem tirarem os olhos do caminho ou das tochas do guia que lhes assegurava não faltar muito.
Quando o dia nasceu, estavam tão perto da nossa casa que quase nos podiam avistar. E foi em murmúrios que os homens e as mulheres disseram às crianças e a si próprios por que razões vinham à nossa procura. Foi num sussurro que apertaram às mãos as correias que seguravam as mocas, cuidadosamente esculpidas para abrir um crânio com um golpe seco; ou afiaram as navalhas que antes tinham servido para cortar o caule de pé de milho ou uma fatia de enchido. Homens, mulheres e crianças de olhos claros que não reflectiam o dia, chegaram ao início da manhã. Tinham os pés sobre as flores.
O pai não os ouviu, com o barulho da serra, e quando os avistou, mal teve tempo de se defender. Caiu no chão com a sobrancelha rasgada e duas lanças no peito, cravadas em uníssono por dois rapazinhos gémeos de quem se esperavam grandes feitos.
3 de julho de 2007
PLANTAS E NOMES ANTIGOS
Um amigo reencaminha-me um recorte de um jornal das ilhas Baleares, que fala de uma planta antiga, cujo o nome vem directamente de Poseidon (ou Posidon) e que gostaria de pensar como lema :)
"La posidonia es una planta marina y su presencia en la orilla del mar protege la playa de la erosión de arena por la accion del mar".
Já que vivo num país que acha que os escritores e os poetas não servem para nada, ao menos nos deixem a ideia que o nosso trabalho ajuda a impedir a erosão das coisas naturais...
Um amigo reencaminha-me um recorte de um jornal das ilhas Baleares, que fala de uma planta antiga, cujo o nome vem directamente de Poseidon (ou Posidon) e que gostaria de pensar como lema :)
"La posidonia es una planta marina y su presencia en la orilla del mar protege la playa de la erosión de arena por la accion del mar".
Já que vivo num país que acha que os escritores e os poetas não servem para nada, ao menos nos deixem a ideia que o nosso trabalho ajuda a impedir a erosão das coisas naturais...
2 de julho de 2007
AS FLORES VISTAS DE BAIXO (3)

Dentro da casa, Vale estava estendida de costas sobre o edredão de riscas azuis. Sabia que em breve a mãe a chamaria. Mas a minha irmã mais velha era assim mesmo: dormia sobre as obrigações e sonhava com o que não se encontrava ali. Era preciso estar sempre a chamar-lhe a atenção durante as aulas de gramática. Vale imaginava-se sempre longe, num lugar livre de deveres. Um sítio onde não lhe seria exigido nada mais do que uma ordem breve, ou a expressão de um desejo. E, contudo, era a primeira a focar-se no que havia para fazer sempre que uma desgraça acontecia.
O pai não estava à vista. Mas podíamos ouvir o ruído da sua serra hidráulica, alimentada pela água do pequeno riacho (que ele apresara, de resto). O pai era assim: podíamos sempre ouvi-lo. E, se prestássemos atenção, cheirá-lo. Esse cheiro de resina de árvores e camisas suadas dava-nos a todos uma sensação de segurança. Mesmo quando as árvores pareciam crescer sobre a clareira onde ele reconstruíra a nossa casa, a partir de uma velha barraca; mesmo quando as nuvens fugiam da montanha ao fundo e se juntavam sobre as nossas cabeças para nos ameaçar com o dilúvio.
Foi ele que me endireitou as golas da camisa de flanela azul. O que me passou a mão pelos cabelos que pareciam querer fugir para longe do lugar onde os tencionava manter. Deixou-me à distância exacta a que um pai deve deixar o filho que entra para o seu primeiro baile. E permitiu entre nós o necessário silêncio. Para que eu pudesse saborear mais um pouco o riso das bocas das raparigas que, excitadas, tinham partilhado comigo uma dança.

Dentro da casa, Vale estava estendida de costas sobre o edredão de riscas azuis. Sabia que em breve a mãe a chamaria. Mas a minha irmã mais velha era assim mesmo: dormia sobre as obrigações e sonhava com o que não se encontrava ali. Era preciso estar sempre a chamar-lhe a atenção durante as aulas de gramática. Vale imaginava-se sempre longe, num lugar livre de deveres. Um sítio onde não lhe seria exigido nada mais do que uma ordem breve, ou a expressão de um desejo. E, contudo, era a primeira a focar-se no que havia para fazer sempre que uma desgraça acontecia.
O pai não estava à vista. Mas podíamos ouvir o ruído da sua serra hidráulica, alimentada pela água do pequeno riacho (que ele apresara, de resto). O pai era assim: podíamos sempre ouvi-lo. E, se prestássemos atenção, cheirá-lo. Esse cheiro de resina de árvores e camisas suadas dava-nos a todos uma sensação de segurança. Mesmo quando as árvores pareciam crescer sobre a clareira onde ele reconstruíra a nossa casa, a partir de uma velha barraca; mesmo quando as nuvens fugiam da montanha ao fundo e se juntavam sobre as nossas cabeças para nos ameaçar com o dilúvio.
Foi ele que me endireitou as golas da camisa de flanela azul. O que me passou a mão pelos cabelos que pareciam querer fugir para longe do lugar onde os tencionava manter. Deixou-me à distância exacta a que um pai deve deixar o filho que entra para o seu primeiro baile. E permitiu entre nós o necessário silêncio. Para que eu pudesse saborear mais um pouco o riso das bocas das raparigas que, excitadas, tinham partilhado comigo uma dança.
28 de junho de 2007

Depois de um breve inquérito conduzido por duas esplendorosas (e bem vestidas) hostesses, o visitante é conduzido através de um percurso que lhe permitirá melhorar as suas competências na área do sucesso nacional. Capacetes que transmitem cultura instantânea, permitindo ouvir tudo o que interessa ouvir para fazer um brilharete, alternam com outros que conduzem à Felicidade Fácil. Rir de qualquer coisa e sentir-se bem sem mergulhar um centímetro que seja na profundidade de um problema. Também a necessidade de atribuir uma nova terminologia será abordada. Assim, os candidatos ficarão a conhecer os novos significados de “Casa”, “Caixa de cartão”, “Juiz” ou “Portugal”, entre outros vocábulos. É a PLEBs, terminologia adequada ao cidadão-carneiro e falido.
No fim, a possibilidade de auto-análise e de ver os melhoramentos num espelho. Todos os participantes receberão como prémio uma senhora idosa que nunca entendeu o sentido estético de Arthur Schopenhauer*.
Festival Pedras d'Água
13 e 14 de Junho (sexta e sábado), das 19h às 21h
RUA AUGUSTA, Lisboa
25 de junho de 2007

A FLORES, VISTAS DE BAIXO (2)
De vez em quando, olhava para a minha mãe que lavava no tanque grande. A pilha de roupa começava a ceder, flutuando num dos lados sobre uma mancha branca de sabão. Era a parte de enxaguar; a que ela tinha pedido ao pai que lhe construísse, durante pelo menos 3 anos. A minha mãe esfregava a roupa de cá para lá e de lá para cá, rasgando os dedos finos e vermelhos contra as areias que tinham sido coladas à pedra de apoio para melhor arrancar as notas de unto. Também ela levava por vezes a mão ao cabelo para o desviar da cara, soprando, e observava Jacinta. Assegurava-se de que ela continuava à vista e não se tinha voltado a lembrar de fazer uma fogueira com pilhas de paus. Jacinta sabia fazer fogos maravilhosamente realistas para a sua idade. E mesmo se não chegava à fase de os acender, ainda assim, as suas bonecas pareciam contorcer-se de dor, prisioneiras das posições em que as deixava. A minha mãe não queria arriscar esta visão.
24 de junho de 2007
AS FLORES, VISTAS DE BAIXO (1)
Eles vieram de noite. Atravessaram os campos de lírios com as botas cardadas; as botas que tinham generosamente engraxado desde as primeiras horas do entardecer. As mulheres arregaçaram as saias e desviaram os cabelos dos olhos claros. Os homens levaram uma das mãos, várias vezes, às calças de tecido grosseiro, ali, onde a comichão parecia querer comer-lhes as virilhas. As crianças seguiam ora à frente, ora atrás, os olhos ainda mais frios que os das mulheres porque não reflectiam nem a luz das tochas que traziam nas mãos nem o rasto das estrelas que passavam por cima deles. Saíram de noite e atravessaram os campos. Saíram de noite e meteram os pés dentro dos ribeiros e fizeram rolar as pedras por onde os animais passavam.
A minha irmã Jacinta brincava com a boneca de pano. E ainda com outra, a preta de cabeça de massa, julgo, debaixo do telhado de madeira. Falava com elas, ralhando-lhes por não terem feito isto ou aquilo. Ensinava-as, ainda, a comportarem-se à mesa. “Não se pode cantar", ralhava, severa. Pelas costas, os cabelos espalhados em caracóis.
Eles vieram de noite. Atravessaram os campos de lírios com as botas cardadas; as botas que tinham generosamente engraxado desde as primeiras horas do entardecer. As mulheres arregaçaram as saias e desviaram os cabelos dos olhos claros. Os homens levaram uma das mãos, várias vezes, às calças de tecido grosseiro, ali, onde a comichão parecia querer comer-lhes as virilhas. As crianças seguiam ora à frente, ora atrás, os olhos ainda mais frios que os das mulheres porque não reflectiam nem a luz das tochas que traziam nas mãos nem o rasto das estrelas que passavam por cima deles. Saíram de noite e atravessaram os campos. Saíram de noite e meteram os pés dentro dos ribeiros e fizeram rolar as pedras por onde os animais passavam.
A minha irmã Jacinta brincava com a boneca de pano. E ainda com outra, a preta de cabeça de massa, julgo, debaixo do telhado de madeira. Falava com elas, ralhando-lhes por não terem feito isto ou aquilo. Ensinava-as, ainda, a comportarem-se à mesa. “Não se pode cantar", ralhava, severa. Pelas costas, os cabelos espalhados em caracóis.
CONTO INÉDITO (EM PORTUGAL)
Numa época em que as editoras e os livreiros nos tratam como colecções Primavera-Verão que é preciso renovar ou esquecer na estação seguinte, vou começar a publicar aqui alguns inéditos.
O primeiro conto, saiu apenas no México e chamei-lhe "As flores, vistas de baixo".
Vou deixando pedacinhos, porque os posts, mesmo os literários, são para se ir lendo.
Numa época em que as editoras e os livreiros nos tratam como colecções Primavera-Verão que é preciso renovar ou esquecer na estação seguinte, vou começar a publicar aqui alguns inéditos.
O primeiro conto, saiu apenas no México e chamei-lhe "As flores, vistas de baixo".
Vou deixando pedacinhos, porque os posts, mesmo os literários, são para se ir lendo.
22 de junho de 2007
MICROFILMES
Para o ppl interessado em fazer filmes sem pensar demasiado na difícil tarefa de montar uma estrutura de produção, os alunos de produção da RESTART lançam um desafio:
"30'' em Lisboa | Concurso de Microfilmes
30 de Junho
O evento consiste num concurso de microfilmes - filmes de curta duração (30 segundos), feitos a partir de telemóveis com câmara - e é dirigido a um público jovem, interessado nas novas tecnologias.
Este concurso será realizado num único dia – 30 de Junho de 2007. Os vídeos poderão ser realizados a partir das 00h do dia 30 e terão de ser descarregados em dois espaços no Bairro Alto - a loja/bar SEM SIM e a galeria ROSA DA RUA - das 00h às 03h e das 15h às 19h.
Inscrições em 30segundos.publico.pt
Os microfilmes serão exibidos à noite numa festa no MUSIC BOX com a participação da banda MICRO AUDIO WAVES e do dj RUI MURKA. Simultaneamente proceder-se-á à entrega dos prémios aos vencedores.
a www.myspace.com/30seglx
30seg.lx@gmail.com."
Para o ppl interessado em fazer filmes sem pensar demasiado na difícil tarefa de montar uma estrutura de produção, os alunos de produção da RESTART lançam um desafio:
"30'' em Lisboa | Concurso de Microfilmes
30 de Junho
O evento consiste num concurso de microfilmes - filmes de curta duração (30 segundos), feitos a partir de telemóveis com câmara - e é dirigido a um público jovem, interessado nas novas tecnologias.
Este concurso será realizado num único dia – 30 de Junho de 2007. Os vídeos poderão ser realizados a partir das 00h do dia 30 e terão de ser descarregados em dois espaços no Bairro Alto - a loja/bar SEM SIM e a galeria ROSA DA RUA - das 00h às 03h e das 15h às 19h.
Inscrições em 30segundos.publico.pt
Os microfilmes serão exibidos à noite numa festa no MUSIC BOX com a participação da banda MICRO AUDIO WAVES e do dj RUI MURKA. Simultaneamente proceder-se-á à entrega dos prémios aos vencedores.
a www.myspace.com/30seglx
30seg.lx@gmail.com."
20 de junho de 2007
AINDA AS ELEIÇÕES PARA A CÂMARA DE LISBOA, EM VERSO - FRACO - PARA ALIVIAR
Do debate de ontem na Sic Notícias percebeu-se o seguinte:
a) O Carmona não vive à tona (fuga para a frente e mente e mente)
b) O Mimoso Negrão é um bocado parvalhão (troca Setúbal por Lisboa, em frases à toa)
c) A Roseta é conciliadora... Logo, a óbvia perdedora (sejam amigos, diz, e os outros... vá de lhe virar o nariz)
d) O Costa está no castelo, aos ataques, riso amarelo (já ganhou na tranquilidade que conhecer o governo é governar a cidade)
e) O Ruben tem nome de teen, a foice velhinha espetada num pin (tudo para o quadro para aliviar a despesa que São Marx não nos falhará com certeza!)
Para resolver é o toca a vender. Para reduzir é o toca a substituir. Boys pelos boys, só mudam os cobóis!
Do debate de ontem na Sic Notícias percebeu-se o seguinte:
a) O Carmona não vive à tona (fuga para a frente e mente e mente)
b) O Mimoso Negrão é um bocado parvalhão (troca Setúbal por Lisboa, em frases à toa)
c) A Roseta é conciliadora... Logo, a óbvia perdedora (sejam amigos, diz, e os outros... vá de lhe virar o nariz)
d) O Costa está no castelo, aos ataques, riso amarelo (já ganhou na tranquilidade que conhecer o governo é governar a cidade)
e) O Ruben tem nome de teen, a foice velhinha espetada num pin (tudo para o quadro para aliviar a despesa que São Marx não nos falhará com certeza!)
Para resolver é o toca a vender. Para reduzir é o toca a substituir. Boys pelos boys, só mudam os cobóis!
19 de junho de 2007
ALIMENTAR-SE DE AR
É maravilhosa a confiança na falta de apetite dos criadores manifestada quer pelo Estado quer pelas instituições privadas que nos contratam. Para aqueles que invejam esta maravilhosa vida de criador mais ou menos reconhecido, fiquem a saber que a coisa não é bem o que parece. Os pagamentos de direitos e de participações em eventos variados são normalmente tirados a ferro. Nunca são a consequência imediata do nosso trabalho. Pelo contrário, actores, escritores e quejandos são vistos a maior parte do tempo a arrastar-se a pedir o que é deles.
A questão é: se os agentes culturais têm esta atitude de desprezo para com os criadores, como é que se pode esperar que o público os acarinhe sem reservas?
E isto não tem a ver com crise. Tem mais a ver com o facto de as "indústrias culturais" estarem em 3º lugar na contribuição para o PIB e de o Ministério da Cultura lhes atribuir em troca 0.7% do Orçamento Geral do Estado. Haverá discurso mais eloquente que este?
É maravilhosa a confiança na falta de apetite dos criadores manifestada quer pelo Estado quer pelas instituições privadas que nos contratam. Para aqueles que invejam esta maravilhosa vida de criador mais ou menos reconhecido, fiquem a saber que a coisa não é bem o que parece. Os pagamentos de direitos e de participações em eventos variados são normalmente tirados a ferro. Nunca são a consequência imediata do nosso trabalho. Pelo contrário, actores, escritores e quejandos são vistos a maior parte do tempo a arrastar-se a pedir o que é deles.
A questão é: se os agentes culturais têm esta atitude de desprezo para com os criadores, como é que se pode esperar que o público os acarinhe sem reservas?
E isto não tem a ver com crise. Tem mais a ver com o facto de as "indústrias culturais" estarem em 3º lugar na contribuição para o PIB e de o Ministério da Cultura lhes atribuir em troca 0.7% do Orçamento Geral do Estado. Haverá discurso mais eloquente que este?
15 de junho de 2007
CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA
Muito educativa a visita aos sites e blogues dos candidatos às eleições para a câmara de Lisboa. Permite ver, pelo número de apoiantes, quem são os vencedores e os vencidos. Como se sabe, os ratos são os primeiros abandonar o navio (veja-se a lista de apoiantes de Carmona) Recomendo vivamente o site do Negrão-PSD, embora se possa fazer download de toques de telemóvel AINDA NÃO HÁ PROGRAMA. Isto é, sabem que é giro ir a votos, só não sabem porquê. Isto é tão psd… A candidatura deveria chamar-se Mais Umas Argolas Para Pendurar Das Orelhas De Lisboa….
Enfim…
Outra constatação é o deserto de ideias no que se refere à Cultura. Helena Roseta, perante uma multidão de artistas a passar fome pensou que era boa ideia estourar milhões com uma Biblioteca na zona Oriental de Lisboa. .. No comments.
O PCP, que será quase certo responsável pelo pelouro da Cultura (uma vez que o PS não terá maioria e vai ter de ceder um pelouro qualquer e certamente se livrará do menos importante, o que é o mesmo que dizer que vamos ter o director do Avante a apoiar espectáculos das Neo-brigadas-Vitor-Jara… ) também não diz nada de relevante sobre o assunto.
A surpresa vem da Nova Democracia, onde Manuel Monteiro, por não ter nada a perder, optou por uma estratégia de utilização económica de recursos (youtube) para promover objectivos de ataque. Ou seja, o homem começou a dizer o que achava, uma vez que sabe que tão cedo não terá um tacho à espera. Onde se prova que a fominha aguça a honestidade.
Muito educativa a visita aos sites e blogues dos candidatos às eleições para a câmara de Lisboa. Permite ver, pelo número de apoiantes, quem são os vencedores e os vencidos. Como se sabe, os ratos são os primeiros abandonar o navio (veja-se a lista de apoiantes de Carmona) Recomendo vivamente o site do Negrão-PSD, embora se possa fazer download de toques de telemóvel AINDA NÃO HÁ PROGRAMA. Isto é, sabem que é giro ir a votos, só não sabem porquê. Isto é tão psd… A candidatura deveria chamar-se Mais Umas Argolas Para Pendurar Das Orelhas De Lisboa….
Enfim…
Outra constatação é o deserto de ideias no que se refere à Cultura. Helena Roseta, perante uma multidão de artistas a passar fome pensou que era boa ideia estourar milhões com uma Biblioteca na zona Oriental de Lisboa. .. No comments.
O PCP, que será quase certo responsável pelo pelouro da Cultura (uma vez que o PS não terá maioria e vai ter de ceder um pelouro qualquer e certamente se livrará do menos importante, o que é o mesmo que dizer que vamos ter o director do Avante a apoiar espectáculos das Neo-brigadas-Vitor-Jara… ) também não diz nada de relevante sobre o assunto.
A surpresa vem da Nova Democracia, onde Manuel Monteiro, por não ter nada a perder, optou por uma estratégia de utilização económica de recursos (youtube) para promover objectivos de ataque. Ou seja, o homem começou a dizer o que achava, uma vez que sabe que tão cedo não terá um tacho à espera. Onde se prova que a fominha aguça a honestidade.
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